Depois de Flávio Bolsonaro chegar à frente de Lula no segundo turno das eleições, a cúpula militar passou a ver o senador como favorito para subir a rampa do Palácio do Planalto. A possibilidade, porém, ainda não acendeu o alerta na caserna sobre uma caça às bruxas aos fardados que se opuseram à tentativa de golpe e que ocuparam cargos de chefia das tropas no governo Lula.
A avaliação de militares é que Flávio não seria como Jair Bolsonaro e tenderia a deixar a política fora dos quartéis. Esse recado já foi levado por interlocutores do senador à cúpula das forças.
Além disso, o candidato do PL falou publicamente que, se for eleito, o papel primordial dos militares será o monitoramento de fronteiras, o que foi celebrado na caserna. Integrantes da campanha de Flávio destacam que Bolsonaro, quando eleito presidente, tinha um círculo mais restrito que o do filho e com muitos militares no seu entorno, o que o fez escolher generais para postos-chave do governo.
O caminho de Flávio, no entanto, seria outro, inclusive com sinalização de que pretende nomear um civil para o Ministério da Defesa. No governo do pai, Flávio sempre fez coro com a ala crítica aos militares.
Além disso, o senador tem manifestado a aliados que, num eventual governo, seguirá o critério que sempre imperou na escolha dos comandantes das Forças, o da antiguidade, e que eles estão longe de terem o protagonismo que tiveram na gestão de Jair. O general da reserva e senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) destacou a chance de Flávio retaliar os militares.
— Os militares sempre integraram os governos dentro da disciplina que a instituição estabelece. Não haverá caça às bruxas e os novos comandantes serão escolhidos pelo critério da antiguidade, como sempre foi — disse à coluna.
O Globo