A dermatologia vive uma fase de expansão de tecnologias e combinações de tratamentos que prometem melhorar a qualidade da pele, combater a flacidez e suavizar os sinais do envelhecimento. Entre as apostas em clínicas da Zona Sul do Rio estão equipamentos que estimulam a produção de colágeno, protocolos que associam diferentes procedimentos e técnicas cirúrgicas que buscam resultados naturais e uma recuperação mais confortável.
A tendência, segundo especialistas, é investir cada vez mais em abordagens individualizadas, de acordo com as características e as necessidades de cada paciente. Veja como são as suítes de hotéis de luxo da Zona Sul: Diárias de até R$ 65 mil e mordomias que vão de adaptação de espaços a piscina semiprivativa
Aproveitamento de resíduos: Da moda às artes plásticas, conheça iniciativas que transformam lixo em matéria-prima Os lasers, uma das tecnologias mais antigas, continuam a ganhar novas aplicações com a evolução dos equipamentos.
A possibilidade de controlar a intensidade, a profundidade e a distribuição da energia permite tratar diferentes queixas, das rugas às cicatrizes de acne, com protocolos que vão de sessões mais leves a intervenções que exigem maior tempo de recuperação. Para o dermatologista Victor Bellizzi, que atende em Ipanema, o laser de CO₂ híbrido é um dos exemplos dessa evolução.
— O CO₂ é uma tecnologia antiga que foi repaginada. Os equipamentos mais modernos permitem individualizar a entrega de energia e trabalhar com diferentes tipos de pele e indicações.
Não é uma receita de bolo, precisamos avaliar cada paciente e a queixa que queremos tratar — explica. O médico destaca o uso do laser na região dos olhos, onde pode ajudar a suavizar rugas, melhorar a textura da pele e promover retração, além de tratar poros dilatados, manchas e cicatrizes de acne.
O estímulo à produção de colágeno também contribui para a melhora gradual da firmeza. A escolha da intensidade, porém, interfere diretamente no período de recuperação.
— Podemos fazer desde um tratamento mais leve, em que o paciente consegue retomar a rotina rapidamente, até uma abordagem mais intensa, com efeito semelhante ao de um procedimento cirúrgico em termos de renovação da pele. Nos tratamentos mais leves, a recuperação pode levar de três a cinco dias.
Nos mais agressivos, pode ser de sete a dez dias — diz Bellizzi. Segundo o dermatologista, a indicação também pode ir além da estética.
É possível utilizar o laser em determinados tratamentos de lesões cutâneas pré-malignas, conforme a avaliação médica. A escolha da tecnologia e dos parâmetros deve considerar o risco e a resposta individual da pele.
Victor Bellizzi. Dermatologista destaca o uso de CO₂ híbrido
Arquivo pessoal A tendência de personalização aparece também em outras tecnologias.
Na clínica da dermatologista Juliana Piquet, no Leblon, o Xerf, nova geração de radiofrequência, é uma aposta para tratar a flacidez sem cirurgia. O aparelho combina duas frequências de energia para aquecer tecidos em diferentes profundidades e estimular o colágeno.
— O envelhecimento não acontece apenas na superfície da pele. O Xerf busca atuar em diferentes estruturas de sustentação do rosto, estimulando a contração e a renovação do colágeno — explica.
A tecnologia promete melhorar a firmeza, as rugas finas e o contorno facial, com resultados progressivos. Juliana ressalta, porém, que ainda são necessários estudos mais longos para determinar a duração dos efeitos e esclarecer os riscos.
— Existe uma inovação tecnológica real, mas as redes sociais e as celebridades também aceleram sua popularidade. Não basta estimular colágeno.
É preciso entender onde esse estímulo acontece e o que queremos modificar em cada rosto — afirma. A médica destaca ainda a necessidade de cautela em pacientes que perderam volume facial após emagrecer.
Nesses casos, a indicação deve considerar o risco de acentuar a perda de gordura, além do grau de flacidez e das características de cada pessoa. Tecnologias miram flacidez e gordura pós-emagrecimento
Outra aposta é combinar diferentes tratamentos em doses menores e com indicações mais precisas. No Leblon, a dermatologista Bruna Bravo observa uma mudança na maneira de planejar os procedimentos estéticos: em vez de concentrar a intervenção em uma única técnica, a proposta é associar recursos que atuem sobre diferentes aspectos do envelhecimento.
— Cada vez mais, usamos menos quantidade em pontos mais específicos e mais estudados anatomicamente. Associamos a toxina botulínica, de forma natural, ao ácido hialurônico em pontos de estruturação facial, onde há perda óssea e de suporte ao contorno.
A combinação de tratamentos permite que um potencialize o outro — afirma. Os bioestimuladores de colágeno, como o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de cálcio, também fazem parte desse planejamento.
De acordo com Bruna, a abordagem tem priorizado doses menores e intervalos mais individualizados, em vez de aplicações frequentes e padronizadas. O objetivo é preservar as características do rosto e evitar excessos.
As tecnologias para melhorar a qualidade da pele seguem a mesma lógica. O ultrassom microfocado está entre os procedimentos mais procurados no consultório da médica, enquanto o laser de CO₂ permanece como uma referência para o tratamento da textura cutânea.
Bruna também destaca a radiofrequência monopolar, utilizada em sua clínica, como alternativa para estimular colágeno sem necessariamente provocar descamação ou vermelhidão perceptível. A escolha entre as tecnologias depende da queixa, da tolerância à recuperação e do resultado esperado.
Mesmo procedimentos que permitem retorno rápido às atividades exigem avaliação e cuidados específicos, sobretudo em relação à exposição solar. Juliana Neiva.
Dermatologista recomenda o Unyque Pro para tratar flacidez, gordura localizada e celulite Divulgação/BT Comunicação
Na Clínica Juliana Neiva, no Leblon, a aposta é o Unyque Pro, plataforma que reúne três tecnologias para tratar queixas corporais, como flacidez, gordura localizada, celulite e alterações no contorno. A proposta é combinar recursos de acordo com as necessidades de cada paciente, em vez de adotar um protocolo único.
— Com o maior uso dos inibidores de GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, temos observado um maior afinamento da pele e o aumento da flacidez, o que também gera desconforto nos pacientes. Por isso, buscamos tecnologias que ofereçam segurança e praticidade, permitindo tratar as diferentes queixas de cada um — explica Juliana.
A plataforma reúne o Cryo RF Max, que associa radiofrequência e resfriamento controlado para estimular o colágeno e melhorar a firmeza; o HImFU, ultrassom multifocalizado de alta intensidade voltado principalmente à gordura localizada; e o ReFreeze, que combina radiofrequência e endermologia para auxiliar na melhora da textura da pele e do contorno corporal.
— O principal avanço está na possibilidade de integrar tecnologias com objetivos complementares e adaptar o tratamento à necessidade de cada paciente. A pele, o tecido subcutâneo e a gordura apresentam características diferentes e, por isso, exigem abordagens específicas — afirma Juliana.
A dermatologista Letycia Lopes aposta no protocolo Fotona GLP-1 Tight para tratar flacidez e gordura localizada durante ou após o emagrecimento Divulgação/Datz Comunicação
Na Clínica Veona, em Ipanema, a dermatologista Letycia Lopes aposta no Fotona GLP-1 Tight, protocolo que combina dois tipos de laser para tratar a flacidez e a gordura localizada que podem persistir após o emagrecimento. A abordagem é voltada especialmente a regiões como abdome, flancos e papada, e pode ser considerada durante ou depois da perda de peso, conforme a avaliação médica.
— O GLP-1 Tight não é um laser único nem uma aplicação igual para todos. As etapas são escolhidas conforme a flacidez, a gordura que ficou e a perda de volume de cada paciente — detalha.
Na aplicação corporal, o Nd atua no aquecimento controlado de tecidos em profundidade, enquanto o Er promove aquecimento da pele, favorecendo a retração e o estímulo à produção de colágeno. A combinação busca melhorar a firmeza e o contorno corporal, mas os efeitos sobre a pele e a gordura são distintos.
— Na pele, o calor faz o tecido se retrair e estimula a produção de colágeno. Na gordura, age sobre o tecido adiposo, levando à morte de parte das células.
As duas coisas se somam.A pele mais firme e a redução da gordura localizada podem deixar o contorno mais definido — diz Letycia. Segundo a dermatologista, o protocolo costuma envolver de quatro a seis sessões, mas a quantidade varia conforme cada caso.
A melhora é gradual, e os resultados dependem do grau de flacidez, da gordura residual e da evolução do peso. A médica ressalta, porém, que o laser não substitui a cirurgia em situações de grande excesso de pele.
— Quem tem flacidez leve a moderada pode obter uma melhora suficiente para dispensar ou adiar a cirurgia. Mas melhorar a firmeza da pele é diferente de retirar a pele que sobrou — explica.
Lifting facial endoscópico é uma das alternativas Em Copacabana, a cirurgiã plástica Maiéve Corralo, fundadora do Instituto Maiéve Corralo, destaca o lifting facial endoscópico como alternativa para tratar sinais de envelhecimento nos terços médio e superior da face.
Lifting facial endoscópico. A cirurgiã Maiéve Corralo durante operação
Arquivo pessoal A técnica utiliza pequenas incisões escondidas no couro cabeludo e uma câmera que amplia a visualização das estruturas durante a cirurgia.
O procedimento permite reposicionar tecidos profundos e melhorar a queda das bochechas, o sulco nasogeniano e a posição das sobrancelhas. — A principal diferença em relação ao lifting tradicional está no acesso cirúrgico e na possibilidade de reposicionar os tecidos predominantemente no sentido vertical, acompanhando a queda provocada pelo envelhecimento e pela gravidade — explica.
A indicação depende do grau de flacidez. Em casos de excesso significativo de pele no terço inferior da face ou no pescoço, pode ser necessário associar outras técnicas.
A cirurgia é realizada sob anestesia geral, em ambiente hospitalar, e a alta no mesmo dia é possível para pacientes selecionados. No pós-operatório, o taping pode auxiliar no controle do inchaço e das equimoses.
— Cada paciente tem uma indicação e uma evolução diferentes. O objetivo é planejar a cirurgia de acordo com a anatomia e as necessidades daquela pessoa e acompanhar de perto o pós-operatório — afirma a médica.
*Esta reportagem integra o Especial Saúde do caderno GLOBO-Zona Sul, publicado em 24/10
O Globo