O presidente da RD Saúde, Renato Raduan, alertou para o risco de uma tragédia sanitária provocada pelo consumo de medicamentos GLP-1 vendidos ilegalmente no Brasil. Para ele, o mercado paralelo desses tratamentos, utilizados contra diabetes e obesidade, continua elevado, sem sinais de que as autoridades estejam conseguindo conter sua expansão.
"Temos medo que, mais dia menos dia, alguma tragédia sanitária por aí aconteça, se é que já não aconteceu e simplesmente não sabemos", afirmou Raduan, durante teleconferência de resultados. Segundo o executivo, a percepção de risco dos consumidores tem diminuído à medida que cresce o número de pessoas que usam medicamentos adquiridos fora do mercado formal.
A RD Saúde ainda não identifica sinais de que órgãos públicos e entidades do setor estejam conseguindo combater o comércio paralelo. O executivo acredita que a maior acessibilidade dos medicamentos no mercado formal poderá ajudar a reduzir a procura por produtos ilegais.
No mercado formal, a chegada de novos concorrentes já começa a melhorar as condições de venda da RD Saúde. Segundo Raduan, fabricantes de medicamentos à base de semaglutida estão negociando margens brutas superiores a 20%, próximas de 25%, acima dos níveis praticados anteriormente.
"O preço caiu muito rápido, mais rápido do que todos esperavam", afirmou o executivo. A avaliação é que novas reduções não ocorram na mesma velocidade, enquanto a maior disponibilidade dos produtos pode impulsionar os volumes vendidos.
Os medicamentos GLP-1 representam cerca de 12% das vendas da RD Saúde, sendo de 3,5% a 4% provenientes da semaglutida. A companhia ainda enfrenta restrições no abastecimento de medicamentos similares desse princípio ativo, mas espera uma melhora no quarto trimestre.
O Liberal