Furto forjado de carro de luxo de R$ 350 mil revela esquema de fraude contra seguradora e desmanche em Goiás

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Um falso registro de furto de um veículo de luxo, avaliado em R$ 350 mil, levou a Polícia Civil a deflagrar a Operação Mirage, que identificou um grupo suspeito de envolvimento em fraudes contra seguradoras e receptação de veículos de alto valor comercial. Até o momento, foram cumpridas 15 medidas judiciais em Goiás e Santa Catarina, sendo dez mandados de busca e apreensão e um de prisão em Goiânia, além de dois mandados de busca e apreensão e dois de prisão em Lages (SC).

Segundo a delegada Ana Carolina Pedrotti, responsável pela operação, a investigação teve início após a polícia identificar inconsistências entre a data do registro de furto de um automóvel de luxo e o período em que ele já estava sendo transportado de Santa Catarina para Goiás. O boletim de ocorrência foi registrado no início de junho, em Balneário Camboriú (SC).

Entretanto, os investigadores descobriram que o veículo já estava a caminho de Goiás cinco dias antes da comunicação do suposto crime. A descoberta levantou suspeitas de que o furto teria sido simulado para permitir que o proprietário recebesse uma indenização da seguradora.

“A investigação começou porque chegou a informação de que um veículo teria vindo de Santa Catarina, teria sido objeto de receptação e teria sido desmanchado. Verificamos que esse veículo tinha um boletim de ocorrência de furto registrado no início de junho, em Santa Catarina.

Só que, durante as investigações, constatamos que ele já estava vindo para Goiás cinco dias antes desse registro”, destacou. A partir dessa descoberta, os policiais conseguiram reconstruir o trajeto do automóvel e identificar os estabelecimentos pelos quais ele passou em Goiânia.

Imagens de câmeras de videomonitoramento e outros elementos reunidos durante a investigação mostraram que o veículo chegou inteiro a uma loja da capital, mas deixou o estabelecimento parcialmente desmontado alguns dias depois. Para a Polícia Civil, os indícios apontam que o automóvel foi encaminhado a Goiás com o objetivo de ser desmanchado, enquanto o proprietário tentava receber o valor do seguro pelo suposto furto.

“O proprietário desse veículo, posteriormente, em razão desse boletim de ocorrência, entrou com um pedido de indenização do seguro. O que percebemos é que houve uma fraude contra o seguro.

Esse veículo veio para Goiânia e verificamos, por imagens e outras formas de investigação, que ele deu entrada em uma loja inteiro e, alguns dias depois, saiu parcialmente desmanchado.” Prisões e apreensões

Além dos mandados judiciais cumpridos durante a Operação Mirage, uma pessoa foi presa em flagrante por receptação qualificada. Durante as buscas, os policiais encontraram uma peça pertencente a outro veículo de luxo, com registro de roubo no estado de São Paulo.

Também foram apreendidos componentes automotivos com indícios de adulteração e uma arma de fogo. De acordo com Ana Carolina Pedrotti, os investigados teriam desempenhado funções distintas no esquema, desde o registro da falsa ocorrência de furto até a receptação e o desmanche do automóvel em Goiânia.

Entre os presos estão o proprietário legal do veículo, que teria solicitado a indenização à seguradora, a pessoa responsável pelo registro do boletim de ocorrência em Santa Catarina e um suspeito de envolvimento na receptação do carro em Goiás. “Até agora foram presos o proprietário legal do veículo, que deu entrada no pedido de indenização do seguro, a pessoa que registrou o boletim de ocorrência e outro indivíduo envolvido com a receptação desse veículo aqui em Goiânia.

O outro alvo, preso em flagrante, também estava envolvido nessa receptação.” A delegada explicou que a comercialização ilegal de peças automotivas permitiria aos envolvidos obter lucro com a venda de componentes por preços inferiores aos praticados no mercado regular.

Segundo ela, o alto valor comercial dos veículos de luxo seria um dos principais atrativos para a atuação do grupo. “Acreditamos que esses carros, por terem valores altos, possuem peças caras, que acabam ficando mais baratas no mercado ilegal.

O foco deles seria justamente isso. Além da fraude contra o seguro, em Santa Catarina, o pessoal daqui teria lucro com a venda dessas peças de forma ilegal.”

1/3 Foto: divulgação/PC

Investigação pode revelar outros crimes A Polícia Civil agora busca identificar se o grupo investigado participou de outros casos semelhantes de fraude contra seguradoras e desmanche de veículos de luxo.

Segundo a delegada, os celulares, documentos e demais materiais apreendidos durante a operação serão analisados para verificar a possível existência de novas ocorrências, identificar outros automóveis envolvidos e descobrir se mais pessoas participaram do esquema criminoso. “Foram apreendidos celulares e documentos que serão objeto de análise.

As investigações vão continuar para verificar se existem outros fatos. Esse caso específico do carro ficou muito bem esclarecido, mas agora precisamos verificar se existem outros elementos que levem à conclusão de que ocorreram outros crimes.”

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