247 – As polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro deflagraram na manhã desta sexta-feira (6) a segunda fase da Operação Sinal Oculto, mobilizando cerca de 360 agentes em comunidades da Zona Oeste da capital fluminense para combater uma organização criminosa especializada em roubo, adulteração e comercialização ilegal de veículos, segundo informações divulgadas pelo portal G1.
A ofensiva atual tem como alvo principal a comunidade Jardim Novo, localizada no bairro de Realengo, onde as equipes policiais saíram para cumprir oito mandados de prisão preventiva com o apoio de dois veículos blindados da corporação. A operação é conduzida de forma integrada pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) e pelo Batalhão de Polícia Choque (BPChq).
De acordo com os órgãos de segurança, a investigação aprofunda as apurações iniciadas em etapas anteriores e busca desarticular uma estrutura complexa que utilizava as redes sociais para negociar automóveis de alto valor por preços incompatíveis com o mercado formal, dissimulando a origem criminosa dos bens por meio de clonagem e adulteração de sinais identificadores.
Investigação revela esquema de clonagem digital e encomendas O inquérito policial apontou que o grupo criminoso operava por meio da seleção prévia de veículos regulares que circulavam pelas ruas, cujos dados de identificação eram extraídos e copiados para substituir as características originais de automóveis previamente roubados.
Esse processo permitia que os carros subtraídos recebessem uma fachada de legalidade antes de serem expostos em plataformas digitais e redes sociais para atrair potenciais compradores desavisados. As apurações da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis também indicam que a quadrilha não atuava apenas com a revenda indiscriminada, mas mantinha um esquema de encomendas direcionadas.
Os investigadores identificaram indícios de que modelos específicos eram solicitados por clientes do mercado ilegal, estabelecendo um vínculo direto entre a demanda clandestina e a execução de roubos de veículos na região metropolitana do Rio de Janeiro, conforme reportado pelas coberturas jornalísticas.
Análise de mensagens aponta indícios de comércio de armas Além do esquema de clonagem e revenda de automóveis, o avanço das investigações permitiu desvendar ramificações da organização criminosa para outros tipos de crimes graves.
A análise detalhada de materiais apreendidos em fases anteriores, que incluiu a verificação de 19.777 mensagens e 2.324 áudios extraídos de dispositivos eletrônicos, revelou referências a negociações de armamentos de uso restrito e de grande poder de fogo. Entre os itens mencionados nas conversas interceptadas pelos investigadores constam negociações envolvendo fuzis do modelo AK-47, armamentos de calibre .50 e pistolas restritas às forças de segurança.
A polícia ressalta que as acusações e os elementos reunidos permanecem sob apuração rigorosa dentro do inquérito em curso, não constituindo condenação definitiva dos investigados, enquanto as diligências continuam para identificar todos os participantes e eventuais conexões com o tráfico de armas.
Histórico da Operação Sinal Oculto e primeira fase A primeira fase da Operação Sinal Oculto foi deflagrada em 27 de agosto do mesmo ano, ocasião em que as equipes policiais cumpriram dezenas de mandados de busca e apreensão e de prisão contra indivíduos mapeados pela inteligência policial.
Durante aquela ação na mesma comunidade Jardim Novo, as forças de segurança enfrentaram resistência armada e foram alvejadas a tiros por criminosos locais, resultando em um ferimento grave sofrido por um policial civil atingido no rosto. Naquela primeira ofensiva, as autoridades conseguiram prender suspeitos e apreender diversos equipamentos eletrônicos, incluindo celulares, máquinas de cartão, rádios comunicadores e mídias digitais, além de veículos e simulacros de fuzil.
O material então recolhido passou por exames periciais que subsidiaram a deflagração desta nova etapa, reforçando a estratégia policial contra as redes de criminalidade patrimonial e armada que atuam na Zona Oeste carioca.
Brasil 247