Onze pessoas foram presas no sábado (17), em Autazes, no interior do Amazonas, por suspeita de envolvimento em crimes ambientais relacionados a queimadas no estado. As prisões foram anunciadas pelo governador Roberto Cidade durante coletiva de imprensa no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), em meio ao avanço dos incêndios florestais. Os nomes dos detidos não foram divulgados.
Um a cada cinco dos 38 mil focos de queimadas na Amazônia no ano ocorreu em áreas protegidas Fumaça por queimadas traz qualidade de ar em nível 'perigoso' em Manaus e cientista recomenda que se evite sair de casa — A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a nossa equipe aqui vem trabalhando muito para que a gente possa identificar esses homens que ficam ateando fogo no nosso estado. Só durante esses dias nós já prendemos onze criminosos no município de Autazes — afirmou. O governador afirmou que cerca de metade dos focos de incêndio está em áreas federais, enquanto a outra metade se concentra em áreas estaduais. Segundo ele, as ações de fiscalização e combate às queimadas serão intensificadas no Amazonas. Cidade, no entanto, não detalhou quais operações estão em andamento nas unidades de conservação administradas pelo estado. Autazes esteve entre os municípios com maior número de focos de queimadas no início deste mês. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a cidade registrou 139 focos entre os dias 10 e 13.
Diante do avanço das queimadas, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou um inquérito civil para apurar as causas. A investigação busca identificar os responsáveis pelas queimadas, apurar possíveis danos ambientais e determinar a origem do fogo.
Fumaça por queimadas traz qualidade de ar em nível 'perigoso' A fumaça intensa provocada por incêndios florestais em Manaus, que esteve no centro de 19 episódios em pouco mais de um mês, provocou uma qualidade de ar em nível "perigoso" na manhã deste sábado. Neste cenário, o epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), recomendou que a população evite sair de casa. A plataforma internacional IQAir aponta que a concentração de partículas finas de poluição chegou a 59,2 vezes o valor recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O cenário de fumaça intensa também reduziu a visibilidade e impediu a ocorrência de operações aéreas de combate a incêndios, segundo o Ibama. Por volta das 8h40 da manhã deste sábado, o índice de qualidade do ar em Manaus alcançou 657 pontos. Naquele momento, a diferença para a segunda capital mais poluída era grande: Porto Velho, em Rondônia, marcava 65 pontos. Para Orellana, as autoridades estaduais e municipais devem considerar suspender parte das atividades a partir de segunda-feira caso os níveis de poluição continuem altos. "Este é provavelmente, o pior dia do ano, em termos de fumaça tóxica! Quem puder fique em casa, com portas e janelas fechadas, especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades respiratórias e cardiovasculares", afirmou o epidemiologista. Também neste sábado, o prefeito da capital do Amazonas, Renato Junior (Avante), pediu que autoridades estaduais nacionais e internacionais ajudem Manaus no enfrentamento das queimadas. — Manaus está sendo sufocada e o mais revoltante é que a nossa cidade não está promovendo as queimadas, mas está pagando um preço altíssimo por elas e isso é inaceitável — disse. O prefeito culpa outros municípios pelas chamas e afirma que sua gestão municipal tem adotado medidas ambientais. — Manaus não está em chamas. As chamas vêm de outros municípios e até de outros estados. Enquanto a fumaça sufoca e prejudica o nosso povo, a nossa gente, faço um apelo a todas as autoridades estaduais, nacionais e até internacionais. Manaus precisa de socorro.
O Globo