247 – Quase 90 milhões de pessoas deslocadas à força vivem em países altamente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, como secas, inundações e calor extremo. O alerta foi divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que cobrou mais financiamento para apoiar essas populações antes da COP31, conferência climática da ONU prevista para Antalya, na Turquia.
As informações são da CNN Brasil. Segundo relatório da agência, quase três quartos das pessoas deslocadas à força no mundo estão em países como Afeganistão e Bangladesh, que enfrentam riscos climáticos graves.
O documento aponta a relação entre conflitos, deslocamentos populacionais e o agravamento dos impactos ambientais. “A adaptação climática em áreas frágeis e afetadas por deslocamentos é uma questão de sobrevivência”, afirmou Anton Leis Garcia, alto-comissário adjunto de operações do ACNUR.
“Precisamos de financiamento climático para alcançar as comunidades onde as necessidades são maiores”, disse. O relatório apresenta o caso de uma refugiada sudanesa que deixou a região de al-Fashir em junho de 2023, em razão do conflito, e buscou abrigo no assentamento de Farchana, no leste do Chade.
Ela relatou que chega a passar uma semana sem encontrar água potável e precisa percorrer distâncias cada vez maiores para conseguir abastecimento. O aumento das temperaturas tem provocado o secamento dos leitos de rios sazonais próximos à comunidade.
Mudanças climáticas dificultam retorno de refugiados O ACNUR também advertiu que a deterioração das condições climáticas compromete o retorno sustentável de pessoas deslocadas aos seus locais de origem.
No primeiro semestre de 2026, mais de dois terços dos retornos de refugiados ocorreram em países com elevada exposição a riscos climáticos. De acordo com a agência, essas condições aumentam a possibilidade de novos deslocamentos.
Na Síria, quase 4 milhões de deslocados internos retornaram recentemente. Entretanto, a população enfrenta escassez crescente de água e irregularidade nas chuvas.
Em maio, inundações às margens do rio Eufrates danificaram residências e deixaram milhares de pessoas desalojadas, segundo o relatório. Os riscos também preocupam em outras regiões.
Na África subsaariana, um em cada três assentamentos de refugiados poderá enfrentar pelo menos 100 dias anuais de calor extremo até 2050, com consequências para a saúde e as condições de sobrevivência. Em alguns locais da Etiópia, como o assentamento de Helaweyn, as temperaturas extremas poderão persistir por mais de 200 dias ao ano, elevando os riscos de insolação e morte prematura.
“Os refugiados muitas vezes têm acesso limitado a refrigeração, água e energia confiável, o que torna mais difícil escapar de temperaturas perigosas”, afirma o documento. El Niño pode provocar novos deslocamentos
A agência também alertou que a previsão de um El Niño de grandes proporções poderá intensificar os riscos climáticos em países que recebem refugiados, aumentando a possibilidade de novas crises de deslocamento. Na África Oriental, inundações severas podem obrigar até 3 milhões de pessoas a deixar suas casas na Somália, no Quênia, no Sudão do Sul e em Uganda até o final de 2026, segundo o ACNUR.
No Sahel, a combinação de secas, inundações e conflitos pode ampliar a disputa por recursos naturais escassos. Partes da Ásia também enfrentam riscos elevados relacionados a secas, enchentes e ciclones.
Diante desse cenário, o ACNUR pediu aos governos e às instituições responsáveis pelo financiamento climático reunidos na COP31 que ampliem os recursos destinados à adaptação. Atualmente, apenas cerca de 10% do financiamento climático chega a países frágeis ou afetados por conflitos.
Na quarta-feira (4), outro relatório das Nações Unidas apontou que os países ricos estão longe de disponibilizar os US$ 305 bilhões anuais necessários para apoiar a adaptação dos países em desenvolvimento às mudanças climáticas, apesar do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos.
Brasil 247