Onda democrata nos EUA nas midterms pode eleger primeiro senador muçulmano do país

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Fonte da notícia: CBN CBN

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as midterms, que acontecem nesta terça-feira, dia 3 de novembro, podem gerar alguns momentos históricos. A pressão contra o governo Trump e a avaliação ruim, a pior da história, pode gerar uma 'onda democrata'.

Atualmente, os republicanos controlam a maioria dos estados como governador e as duas casas legislativas, a Câmara dos Representantes e o Senado. Porém, a expectativa pelas pesquisas é que a situação se inverta e os democratas passem a ter controle dos três.

Entre os temas em voga nas eleições estão o custo de vida como grande enfoque. O aumento dos preços foi causado especialmente pela guerra com o Irã no Oriente Médio, desaprovado pela maioria da população, que fez aumentar o preço do petróleo e de outros produtos, além das tarifas altas contra países do mundo inteiro.

A política internacional, tão alardeada por Trump, também é alvo de críticas, como, por exemplo, pelas reclamações da falta de apoio para a Ucrânia na guerra contra a Rússia. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

Divulgação/Casa Branca Outro assunto que chama atenção é a questão da imigração.

Segundo analistas políticos americanos, Trump foi eleito com forte apoio dos latinos, mas são esses que puxam as principais críticas ao seu governo pela maneira como o ICE se tornou ativo nas detenções de imigrantes e em ações truculentas. Apesar da grande maioria ter visto de residência, muitos temem ser deportados apenas por causa da política anti-imigração do governo americano.

Primeiro muçulmano eleito? Alguns casos ilustram bem possíveis vitórias históricas democratas.

De acordo com a RealClearPolling, os democratas lideram os republicanos por 51,4% a 43,2%, com uma diferença de 8,2 pontos percentuais, nas preferências de voto em 2026. Os eleitores independentes ou pendulares, que variam a cada eleição, estão bem mais favoráveis aos democratas neste ano.

Um dos casos que mais chama atenção é o estado tradicionalmente republicano do Texas, que pode ser conquistado em todos os cargos pelos democratas em 2026. Um dos nomes controversos é o democrata James Talarico, que está com 49% das intenções de voto contra 43% do republicano Ken Paxton, segundo pesquisa da CNN.

Em Michigan, o mesmo instituto de pesquisa apontou o democrata Abdul El-Sayed, de origem muçulmana, à frente do republicano Mike Rogers, com 49% contra 42%. O médico e epidemiologista pode se tornar o primeiro senador muçulmano da história americana.

Aos 41 anos, ele é filho de imigrantes egípcios, marcado pelas críticas contra as políticas de Israel. Ele se considera jihadista e foi alvo de muitos ataques de rivais, incluindo do próprio presidente americano.

Trump o chamou de 'doentio e violento'. Em resposta, ele disse: 'Eu serei o senador Mohamed para você, meu parceiro'.

Alguns contestaram declarações antigas sobre a Irmandade Muçulmana, considerada uma organização terrorista por alguns países, entre eles o Egito. Apesar disso, El-Sayed afirma que já mudou o posicionamento e crítica abertamente o grupo atualmente.

Apesar disso, o candidato democrata recebeu apoio forte de figuras do alto escalão do partido, além de nomes atualmente independentes, mas parte da ala progressista mais radical dos EUA, como Bernie Sanders. Quantos serão eleitos em 2026?

Capitólio dos Estados Unidos, onde fica a Câmara dos Deputados Pixabay

Nas midterms deste ano, toda a Câmara dos Representantes, o equivalente a Câmara dos Deputados, será renovada, com todos os 435 assentos em disputa. Os mandatos de deputados são de dois anos nos EUA.

O Senado é diferente. Os mandatos são de seis anos.

Então, em 2026, um terço das 100 cadeiras estarão em jogo. Entre os governadores, dos 50 estados, 36 vão eleger novos representantes ou reeleger os que estão atualmente no cargo.

Por fim, ainda há votações para assembleias e senados nos estados e cargos locais, algo que acontece recorrentemente nos Estados Unidos.

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