Guerra cibernética: Rússia diz ter sofrido "enorme" ataque ao seu aplicativo de alertas para bombardeios ucranianos

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Ministério de Situações de Emergência da Rússia informou nesta segunda (2) que sofreu um "enorme ciberataque" contra seu aplicativo que alerta a população sobre ataques ucranianos com drones, entre outras ameaças. "Atenção! O aplicativo móvel do Ministério de Situações de Emergência da Rússia foi alvo de um ciberataque massivo, o que permitiu aos atacantes enviar informações falsas à população", anunciou o ministério por meio do Telegram.

"Atualmente, estão sendo realizados trabalhos para corrigir a vulnerabilidade do aplicativo móvel e restabelecer seu funcionamento normal", acrescentou. O anúncio ocorre horas depois de ter sido divulgado que o sistema de alerta aéreo da Ucrânia havia sido hackeado, após o que surgiram no aplicativo avisos sobre uma ameaça de radiação.

Essa aparente troca de ciberataques entre a Ucrânia e a Rússia acontece após o término de uma trégua — limitada à cidade de Oleshki, na região oriental de Kherson — que esteve em vigor de 27 de outubro a 1º de novembro. A pausa incomum em mais de quatro anos e meio de combates, iniciada na madrugada de terça-feira, permitiu o envio de uma missão humanitária à cidade de Oleshki, ocupada pela Rússia desde 2022.

Moradores aguardam ao lado de ônibus para deixar Oleshki, cidade ucraniana ocupada pela Rússia, durante cessar-fogo mediado pelos EUA Reprodução/Kyrylo Budanov/AFP

"O cessar-fogo, que esteve em vigor de 27 de outubro a 1º de novembro, chegou ao fim", declarou o Comissário para Direitos Humanos do Parlamento da Ucrânia, Dmytro Lubinets. No entanto, espera-se que o diálogo de paz entre Kiev e Moscou seja retomado este mês, com mediação dos Estados Unidos.

As negociações estavam paralisadas desde a eclosão, em fevereiro, da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. No domingo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que seu país deixaria de bombardear as refinarias de petróleo russas — uma exigência do americano Donald Trump — caso Washington forneça a Kiev mísseis interceptadores Patriot.

"Dissemos (a Washington) que, se querem que não ataquemos as refinarias russas, eles não devem atacar nosso sistema elétrico. Outra alternativa: que nos forneçam mísseis Patriot", declarou Zelensky à Fox News.

Duelo cibernético A possível invasão do sistema de alerta contra ataques russos foi denunciada na segunda-feira pela Força Aérea Ucraniana.

"O aplicativo 'Alerta Aéreo' provavelmente foi hackeado. Atualmente, as informações divulgadas sobre os níveis de ameaça não correspondem à realidade", declarou também o Centro Ucraniano de Combate à Desinformação.

O Centro Ucraniano para Comunicações Estratégicas atribuiu a responsabilidade pela invasão à Rússia. Horas depois, foi a Rússia que denunciou um ataque cibernético ao seu aplicativo móvel, utilizado para emitir alertas sobre ataques ucranianos.

"Atenção! O aplicativo móvel do Ministério de Situações de Emergência da Rússia foi alvo de um ataque cibernético em larga escala, o que permitiu aos invasores enviar informações falsas à população", anunciou o ministério no Telegram. O conflito, deflagrado em 2022 pela invasão russa, devastou áreas do leste e do sul da Ucrânia, deixou centenas de milhares de mortos e forçou milhões de pessoas a abandonarem suas casas.

O cessar-fogo, que expirou neste domingo em Oleshki, foi estabelecido com a mediação da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, e permitiu evacuações voluntárias em direção à Ucrânia ou à Rússia. Um oficial militar ucraniano, que falou à AFP sob condição de anonimato, alegou que as forças russas posicionadas do outro lado do rio Dnieper aproveitaram a trégua para concentrar novos efetivos, deslocar reservas de munição e coletar informações sobre as posições ucranianas por meio de drones.

Ataques Fora de Kherson, os combates continuaram.

A Rússia afirmou, neste domingo, que um drone atingiu, durante a noite, uma "instalação industrial" a leste de Moscou. Veículos de imprensa ucranianos relataram um ataque contra a refinaria de petróleo de Kstovo, descrita como "uma das maiores refinarias da Rússia, produtora de combustíveis e lubrificantes".

A Ucrânia tem atacado repetidamente instalações de petróleo e gás na Rússia, alegando que se trata de uma resposta legítima aos bombardeios contra suas próprias infraestruturas energéticas. O presidente Trump pressiona Kiev para que cesse esses ataques, por considerar que eles contribuem para o aumento dos preços do diesel — embora analistas atribuam esse encarecimento à guerra com o Irã.

Atualmente, a Rússia controla cerca de um quinto do território de seu vizinho.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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