A solidão afeta 36,5% dos brasileiros e se consolidou como o fator de risco mais associado à queda na qualidade da saúde mental no país, segundo dados do estudo Panorama da Saúde Mental 2026. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel entre abril e junho, ouvindo 4.601 pessoas.
Os achados reforçam alertas da OMS (Organização Mundial da Saúde), que equipara os impactos do isolamento social aos danos de fumar até 15 cigarros por dia, aumentando drasticamente as chances de depressão, declínio cognitivo e doenças cardiovasculares. O estudo utiliza o Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (ICASM), que varia de zero a mil pontos e registrou média nacional de 671 pontos em 2026.
Entre quem relatou sentir solidão três vezes ou mais no período, a pontuação despencou para 383 pontos, contrastando com os 782 pontos daqueles sem o sentimento. O levantamento também revelou que 15% dos entrevistados usaram ferramentas de Inteligência Artificial em momentos de crise e 8,8% buscaram suporte em chatbots para amenizar o isolamento, levantando alertas de especialistas sobre a necessidade de conexões humanas reais em vez de soluções virtuais.
Em contrapartida, a convivência e o encontro com amigos surgiram como o principal fator de proteção à saúde psicológica, elevando o ICASM dos participantes para 737 pontos. Diante desse cenário, especialistas como a mestre em saúde pública Mariana Rae e o médico Sandro Batista Rodrigues defendem a implementação de políticas públicas e da chamada “prescrição social” no SUS, incentivando a participação em hortas comunitárias, grupos de caminhada e atividades culturais.
Reduzir o impacto do isolamento exige a criação de espaços públicos seguros e oportunidades acessíveis de integração comunitária para toda a população.
Brasil Perfil