O Sul não é deles. É nosso

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

Eu sou Nelson Silva de Souza, o Nelsão da Força. Sou liderança sindical dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e do Paraná e funcionário da Volvo há 47 anos. Comecei no chão de fábrica em 1980, bati cartão na entrada, na saída, no almoço, no café, virei turno, fiz muita hora extra, trabalhei muito sábado e domingo. Eu não li em livro o que é ser trabalhador, eu vivi. Hoje sou primeiro vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e da Força Sindical do Paraná. Falo aqui como trabalhador para trabalhador.

No último domingo, no debate da Band, ficou muito claro para quem vive de salário o que está em jogo no segundo turno do dia 25 de outubro. De um lado, o Lula, que é um de nós. Um Silva, nordestino, torneiro mecânico, que sabe o que é fome, que sabe o que é desemprego, que sabe o que é segurar a família com salário curto. Um presidente que já provou que coloca o pobre no orçamento, valoriza o salário mínimo, gera emprego com carteira assinada e respeita o sindicato.

Do outro lado, o Flávio Bolsonaro. E eu pergunto pra você, companheiro: o que ele fez em todos os anos de parlamento pelo trabalhador? Qual projeto melhorou a sua vida? Nenhum. No debate, ficou claro que ele não tem proposta. Tem só ataque, mentira e lacração de rede social. Não tem proposta pro fim da escala 6×1, não tem proposta pra baixar o preço do mercado, não tem proposta pra juventude.

Tentaram vender por muito tempo que o Paraná e o Sul já têm dono, que aqui é tudo conservador, tudo de um lado só. Isso é mentira que a elite conta. O Sul real, que eu vejo todo dia na porta da Volvo, da Renault, da Bosch, no ponto de ônibus às 5h da manhã em Curitiba, Araucária, São José dos Pinhais, Campo Largo, Colombo, Pinhais e Fazenda Rio Grande, é outro Sul.

É o Sul que trabalha. É o metalúrgico, a metalúrgica, o motorista de aplicativo que roda 12 horas por dia, a menina do caixa do supermercado, o agricultor familiar que levanta de madrugada, a professora, a enfermeira, o jovem no primeiro emprego precário. Esse Sul não aguenta mais.

E o que esse Sul quer? Fim da escala 6×1. Ninguém aguenta trabalhar seis dias e folgar só um. Ninguém aguenta 44 horas semanais sem tempo pra viver. A nossa luta é por 40 horas semanais sem redução de salário e com dois dias de descanso. Isso não é privilégio, é dignidade. É tempo pra cuidar da saúde, levar o filho na escola, estudar e descansar a cabeça. Quem nunca trabalhou no sábado não sabe o valor de um domingo com a família. Eu sei. E o Lula sabe.

Por que digo que o segundo turno será decidido pelo Sul, com os trabalhadores, com a juventude e com as mulheres? Porque são esses três grupos que podem fazer a diferença agora.

Primeiro, os trabalhadores. O trabalhador paranaense está sentindo no bolso o preço da picanha, do arroz, do aluguel e da gasolina. Ele quer saber quem defende o emprego e quem respeita a convenção coletiva.

Segundo, a juventude. Essa molecada que chamam de desinteressada é a geração mais informada que já existiu. Quer universidade, IF, ProUni, emprego que não seja só bico de entrega. Muitos não votaram no primeiro turno. No dia 25, vão votar, porque é o futuro deles.

Terceiro, e mais importante, as mulheres. Onde a mulherada entra, a luta melhora. São as mulheres que seguram tudo. Mães, chefes de família, que ganham menos fazendo o mesmo serviço e enfrentam fila de posto com filho no colo. Quando as mulheres decidem que não aceitam retrocesso, ninguém segura.

Eu senti na pele o ódio do outro lado. Tive que ir até a 3ª Delegacia de Campo Largo registrar boletim de ocorrência porque arrancaram, quebraram e queimaram nossas bandeiras na rotatória do Super Pão, na Avenida Padre Natal Pigatto. Está tudo registrado. É o desespero de quem não tem proposta, só tem ódio.

Nós temos proposta, história e o povo na rua.

Por isso, falo direto: eu sou o Nelsão da Força, do Paraná, e no dia 25 de outubro voto Lula. Voto Lula porque estou com o trabalhador, com as 40 horas, com o fim da 6×1, com a juventude que quer futuro e com as mulheres que querem respeito.

O Sul não é deles. O Sul é nosso, de quem trabalha. E quando o Sul trabalhador se levanta, o Brasil inteiro muda.

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