O que Lula e Flávio Bolsonaro devem à economia no debate hoje

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Em entrevista ao ND+ Negócios & Dinheiro, Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, diz que o mercado aposta no histórico e cobra meta fiscal, juros e rumo da dívida O debate de hoje na Globo, marcado para as 21h20, coloca Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente a dois dias do segundo turno.

A economia chega ao palco sem um plano detalhado de nenhum dos lados, segundo o economista Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, em entrevista ao programa ND Mais Negócios e Dinheiro. “Acho que ambas as campanhas não têm um projeto muito bem definido.

O eleitor e o mercado estão muito mais apostando no histórico e no que já aconteceu do que propriamente num projeto apresentado”, afirmou. Para ele, a eleição deixou de ser apenas social ou política e virou uma disputa entre duas visões de política econômica antagônicas.

O ponto central é o custo do dinheiro. “Hoje o Brasil tem uma das maiores taxas de juros reais do mundo”, disse Mendes, para quem “o nosso problema fiscal é tão grande que o investidor exige o maior prêmio do mundo para financiar a dívida”.

Com a Selic em 15%, o retorno de abrir uma indústria ou contratar fica abaixo do que o título público paga. “Na prática não”, resumiu.

Sobre o governo Lula, o economista lembra que o presidente “continuou dizendo pós-primeiro turno que a visão dele é controlar dívida/PIB aumentando o PIB, e não diminuindo gastos. Só que se há déficit primário, a trajetória da dívida vai para cima, e o mercado pune isso com juros altos”.

Sobre uma eventual gestão Flávio Bolsonaro, a leitura é de que o mercado aposta em outra trajetória. “A aposta é na desalavancagem: com superávit primário e queda na dívida/PIB, o Banco Central consegue baixar a Selic de forma sustentável, saindo de 15% para quem sabe 10% daqui a dois anos”, afirmou.

Mendes ressalva que a mudança é de postura, não de problemas. “No dia 1º de janeiro os problemas serão os mesmos.”

A reação do mercado ao primeiro turno mostra o peso da expectativa. Segundo Mendes, o dólar saiu de R$ 5,20 para R$ 4,98 e o Ibovespa subiu mais de 8% na semana, antes de parte do movimento ser corrigida.

Em Santa Catarina, o tema aparece no mercado de trabalho. “Aqui em Santa Catarina, por exemplo, o desemprego é baixo porque o empresário realmente não encontra profissionais para trabalhar”, disse.

No país, ele avalia que falta ambiente de negócios para o trabalhador ver perspectiva de crescimento. Para acompanhar o debate, quatro perguntas resumem a pauta econômica: qual a meta fiscal, como a dívida pública será estabilizada, o que cada candidato fará para reduzir os juros e como gerar emprego de qualidade.

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