O que existe a 2.900 km de profundidade? Cientistas encontram seis regiões desconhecidas dentro da Terra

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Cientistas encontraram indícios de seis regiões até então não documentadas a cerca de 2.900 quilômetros abaixo da superfície da Terra, próximas à fronteira entre o manto sólido e o núcleo externo líquido. A descoberta foi possível com um algoritmo de aprendizado de máquina que analisou mais de 2 milhões de registros sísmicos coletados ao longo de três décadas, segundo reportagem da Futurism. O trabalho, publicado em agosto no Journal of Geophysical Research: Solid Earth, identificou 174.929 sinais conhecidos como precursores PKP, cerca de dez vezes mais do que os conjuntos de dados utilizados em estudos anteriores. Com esse material, os pesquisadores produziram o que descrevem como o mapa global mais completo até agora das potenciais heterogeneidades de pequena escala nas partes mais profundas do planeta. A análise foi feita a partir de mais de 2 milhões de formas de onda registradas em 4.859 terremotos de magnitude entre 6,0 e 8,8, ocorridos entre 1990 e 2024. Os eventos foram registrados por estações sísmicas espalhadas pelo planeta. As chamadas heterogeneidades são regiões do interior terrestre com características diferentes das áreas ao redor. O estudo se concentra principalmente na região imediatamente acima da fronteira entre o núcleo e o manto, área fundamental para a transferência de calor e a circulação de materiais no interior da Terra, mas que permanece difícil de observar em detalhes. Terremotos ajudam a revelar o interior da Terra Como não é possível perfurar milhares de quilômetros até as camadas mais profundas do planeta, geólogos utilizam ondas sísmicas produzidas por terremotos para investigar sua estrutura interna. Os precursores PKP são sinais particularmente úteis porque determinadas ondas são espalhadas ou desviadas por pequenas irregularidades próximas à fronteira entre o manto e o núcleo. Essas alterações no percurso das ondas fornecem pistas sobre estruturas que não podem ser observadas diretamente. Até agora, identificar esses sinais dependia fortemente de uma análise manual lenta e sujeita a diferenças de interpretação. A equipe da Academia Chinesa de Ciências combinou uma rede neural com etapas de revisão e otimização humana para analisar automaticamente os registros. Segundo os pesquisadores, o aumento do volume de dados melhorou em cerca de uma ordem de magnitude a densidade global de amostragem. Em algumas regiões, áreas que apareciam como pontos isolados em trabalhos anteriores passaram a formar faixas contínuas de potenciais heterogeneidades. A análise também permitiu identificar seis áreas antes pouco estudadas com alta probabilidade de conter estruturas responsáveis pelo espalhamento das ondas. Elas passam a ser consideradas alvos prioritários para investigações sísmicas mais detalhadas. O que pode existir perto do núcleo Os resultados também ajudam a investigar a origem dessas irregularidades na base do manto. A comparação com outros tipos de ondas sísmicas confirmou a presença de múltiplas zonas de velocidade ultrabaixa, conhecidas pela sigla ULVZ, em diferentes ambientes do interior profundo da Terra. O estudo sugere que essas estruturas podem ter sido moldadas por uma combinação de remanescentes de placas tectônicas que afundaram em diferentes episódios de subducção, derretimento localizado e interação com grandes regiões de baixa velocidade no manto profundo. Em um relato técnico publicado pela Academia Chinesa de Ciências, os pesquisadores detalham que as seis novas áreas de maior interesse estão distribuídas pelo leste do Atlântico Norte e Europa Central, altas latitudes do norte da Eurásia, uma faixa entre o noroeste do Pacífico e o Alasca, sul da África e sua borda oriental, sudeste do Atlântico Sul e região ao redor da Antártida. Os pesquisadores classificam essas áreas como zonas de alta probabilidade de espalhamento, e não como estruturas cuja forma e composição já tenham sido determinadas. O próximo passo é examiná-las com outros tipos de ondas sísmicas e técnicas de imagem capazes de restringir com maior precisão o que existe na fronteira entre o núcleo e o manto. Mais Lidas

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