O que é Starshield, versão militar do Starlink, da SpaceX

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Fonte da notícia: Valor Valor

A Ucrânia disse nesta quarta-feira (14) que a empresa SpaceX, de Elon Musk, restringiu o “grau militar” de uso dos serviços da Starlink, afetando a capacidade do país de realizar ataques com drones e, também, as condições de defesa aérea do território ucraniano, que sofre com a escalada de drones e mísseis lançados pela Rússia. Leia também: Ucrânia diz que SpaceX restringiu uso do Starlink em meio a tensões com os EUA Ataques da Rússia matam três e danificam instalações de energia na Ucrânia A queixa de Kiev atraiu renovada atenção sobre a distinção entre o Starlink, o serviço comercial de internet por satélite da SpaceX, e o Starshield, uma versão militar desenvolvida para o Pentágono, o Departamento de Defesa dos EUA.

Embora Musk diga que os dois sistemas são separados, em muitos casos compartilham a mesma tecnologia de satélites subjacente.

“Os sistemas Starshield são de propriedade do governo dos EUA”, disse nesta quarta-feira Musk em publicação no X. Ele acrescentou que quaisquer limites de uso ou de velocidade são decididos pelos militares dos EUA e, em última instância, pelo presidente americano.

Por sua vez, “Starlink é um serviço comercial de propriedade e controlado pela Space X”, disse Musk. “O uso do Starlink é restrito a atividades civis ou de defesa. Não pode ser usado para ação militar ofensiva, o que seria inapropriado para uma empresa comercial”, acrescentou.

A Starlink é a principal máquina de lucros da SpaceX, uma rede de internet com mais de 11.000 satélites que entrega banda larga diretamente a cerca de 13 milhões de assinantes — de domicílios e mochileiros a empresas de navegação e companhias aéreas.

Desde o lançamento dos primeiros satélites Starlink em 2019 por foguetes da SpaceX, a empresa montou uma constelação de satélites de órbita baixa que cobrem a maior parte do planeta, entregando conexões mais rápidas do que os satélites de comunicação tradicionais, que estão a uma distância maior da Terra e em quantidades bem menores.

Dessa forma, a Starlink proporcionou à Ucrânia uma vantagem crítica em certo momento da guerra, remodelando a forma como as forças militares operam sobre o terreno. Mas Musk restringiu a Starlink a certos usos militares, e passou a colocar ênfase na Starshield, uma rede considerada mais segura, desenvolvida para o governo e missões militares, em especial, do Pentágono.

Embora os papéis sejam separados, a distinção entre as duas empresas nem sempre é clara: os serviços da Starshield dependem do sistema de satélites da Starlink, mas têm criptografia reforçada e terminais especialmente dedicados.

O Pentágono é o maior cliente da Starshield, tendo gastado bilhões de dólares em ambos os serviços da SpaceX. O Departamento de Defesa também comprou satélites dedicados da Starshield, incluindo dispositivos de comunicação e para alerta de mísseis, e uma constelação de espionagem para o departamento nacional de operações de reconhecimento, reportou a Reuters em 2024.

O segredo em torno de programas espaciais de segurança torna opaco o limite entre os dois sistemas. O Reino Unido, aliado dos EUA na Europa, é outro país que usa a Starshield, e a Nova Zelândia tem feito um uso experimental para avaliar a sua utilidade para operações militares, informou à Reuters o Ministério da Defesa do país.

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