Milhares de pessoas marcham nesta quarta-feira (14) nas principais cidades da Colômbia contra as políticas do presidente de direita Abelardo de la Espriella, na primeira jornada de protestos contra seu governo.
Convocados pela oposição liderada pelo ex-presidente de esquerda Gustavo Petro (2022-2026), sindicatos, comunidades indígenas, estudantes e feministas se manifestam com cânticos e palavras de ordem como "vai cair!", em referência ao governo.
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"Me sinto em perigo, nossos direitos estão em risco (...) Tudo pelo que lutamos durante tanto tempo hoje está em risco", disse à AFP Unzo Vargas, funcionário público de 44 anos, que protestava em Bogotá com a bandeira do arco-íris, uma representação da comunidade LGBTQIA+.
Apenas dois meses após assumir o poder, De la Espriella enfrenta diversas críticas: a oposição vê os direitos humanos ameaçados por suas políticas de linha-dura e teme retrocessos nas reformas sociais promovidas por Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.
O ex-mandatário ampliou o acesso gratuito às universidades públicas, promoveu aumentos recordes do salário mínimo e concedeu benefícios aos trabalhadores, como o pagamento adicional pelo trabalho noturno.
"O pouco que conquistamos (...) estamos prestes a perder", disse Ester Guerra, uma professora de 32 anos, em Bogotá.
O trânsito na capital estava tranquilo diante da recomendação de empresas para que seus funcionários trabalhassem de casa e da suspensão das aulas em algumas escolas. Nas principais cidades, os protestos ocorriam de forma pacífica.
"Tempos sombrios" Entre outras preocupações, os manifestantes rejeitam o restabelecimento das relações diplomáticas com Israel - rompidas durante o mandato de Petro - e a aproximação com o governo de Donald Trump, que consideram um risco à soberania.
"Estou com raiva, me sinto ofendida, não merecemos isso, ele (De la Espriella) só quer entregar o país aos Estados Unidos, a Israel. Sinto que tempos sombrios estão por vir", relatou Jimena Rodríguez, uma estudante de 20 anos.
Os manifestantes agitaram bandeiras palestinas e queimaram uma grande bandeira dos Estados Unidos em Bogotá.
O senador de esquerda Iván Cepeda, que perdeu as eleições presidenciais por menos de um ponto percentual, participou dos protestos na capital.
Os manifestantes temem ser alvo de repressão, depois que De la Espriella decretou na terça-feira a flexibilização do uso da força pelas autoridades em caso de danos ou bloqueios de vias. Segundo o presidente, a medida permite "atacar o terrorismo urbano disfarçado de protesto".
"Tentam amedrontar a população para que não saia às ruas para protestar, mas isso está na Constituição" como um direito, opinou Óscar Pérez, professor de 40 anos.
Nesta quarta-feira, as comunidades indígenas também protestam contra um projeto de regulamentação da guarda indígena, uma organização civil de defesa dos territórios ancestrais que atua nas regiões mais afetadas pelo conflito armado.
"Praticamente não governa para os povos indígenas (...) não nos representa", afirmou José Joy Martenorio, coordenador do Conselho Regional Indígena de Cauca, uma região controlada por guerrilhas e narcotraficantes.
O presidente também é questionado por uma suposta falta de transparência na gestão de recursos por parte de sua esposa, responsável pelas doações privadas destinadas ao atendimento das vítimas do forte terremoto que atingiu o oeste do país em 10 de agosto.
Além disso, a oposição denuncia uma violação da laicidade do Estado, devido às frequentes referências religiosas do presidente, à presença de imagens da Virgem Maria em atos públicos e a outras manifestações, como a expressão "viva Cristo Rei!", com a qual encerra cada discurso.
"Há muita frustração, os ânimos estão se exaltando e esta é uma das demonstrações de que a oposição representa uma grande parte do país", disse Samuel Molina, um estudante de 20 anos, em Bogotá.
Folha de Pernambuco