O investimento de pequeno povoado português para democratizar acesso à literatura

O investimento de pequeno povoado português para democratizar acesso à literatura - Foto
Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

Democratizar o acesso à literatura e derrubar a ideia de que os festivais literários são destinados apenas a uma elite. Essa é uma das prioridades de Filipe Daniel, presidente da Câmara Municipal de Óbidos, cargo equivalente ao de prefeito no Brasil. À frente da cidade portuguesa que recebe a 11ª edição do FÓLIO — Festival Literário Internacional de Óbidos, o político contou, em entrevista à coluna GENTE, que o município investe cerca de 500 mil euros (aproximadamente 2,8 milhões de reais) na realização do evento, que ocorre entre 8 e 18 de outubro e tem entrada gratuita. A aposta, segundo ele, faz parte de uma estratégia que enxerga a cultura não apenas como entretenimento, mas também como instrumento de desenvolvimento econômico e social. Uma das iniciativas para ampliar o acesso à leitura é a distribuição de vouchers de 20 euros (cerca de 113 reais) a mais de 1.600 alunos da rede municipal, que poderão escolher um ou mais livros sem depender do dinheiro dos pais. Além disso, a cidade mantém espaços de leitura em antigas igrejas e mercados, com planos de ampliar a oferta para as praias. “As pessoas podem pegar um livro, levar, ler o livro, devolver ou simplesmente levar para casa, porque há pessoas que não têm dinheiro para comprar o livro”, contou. A proposta também chegou às escolas, comunidades e instituições de acolhimento de idosos. “Isto desconstruiu essa imagem negativa que existia do evento fechado para uma determinada elite”, afirmou.

Para Daniel, a ampliação do público também passa pela defesa do livro e pela liberdade de pensamento. “Nós não censuramos e abrimos a discussão a várias possibilidades políticas, a vários continentes, a vários países”, disse. O prefeito defende que o contato com diferentes perspectivas permite formar cidadãos mais informados e capazes de participar das decisões da comunidade. A iniciativa também busca ultrapassar os limites turísticos do centro histórico. “Queremos crescer para além da vila muralhada”, explicou, ao defender que os visitantes conheçam outras regiões do município. Com aproximadamente 450 autores e ilustradores de 18 nacionalidades, o FÓLIO espera receber cerca de 100 mil visitantes nesta edição. Embora o município ainda não tenha um levantamento consolidado do retorno financeiro, Daniel destaca os reflexos sobre hotéis, restaurantes e o comércio local. Segundo ele, a exposição gerada pelo festival costuma representar entre 8 milhões e 9 milhões de euros (45 milhões e 50,7 milhões de reais) em valor de comunicação. 

Continua após a publicidade

Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente  

Publicidade

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Notícias Veja