Dominação digital: como os algoritmos dominam mentes, fabricam ódio e escravizam consciências

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

Estamos diante de uma das formas mais perigosas de dominação já inventadas pelo ser humano: a subjugação digital das consciências. Os donos do poder econômico descobriram que não precisam colocar um policial em cada esquina, um censor em cada redação ou um soldado em cada casa para controlar uma população. Basta uma máquina no bolso de cada cidadão, oferecendo uma torrente interminável de informações, para descobrir aquilo que o assusta, identificar aquilo que o enfurece e aprender a mantê-lo emocionalmente prisioneiro.

O sujeito acredita que está usando o telefone, mas não percebe que o telefone também está sendo usado para influenciar sua maneira de pensar, sentir, consumir e agir. A criatura imagina que segura a máquina nas mãos, quando a máquina, nas mãos de quem controla seus mecanismos, está aprendendo e dominando a criatura pelo coração e pelo cérebro.

A coisa funciona de maneira relativamente simples. Uma pessoa assiste a um vídeo que provoca indignação. O algoritmo registra seu interesse. Depois aparece outro vídeo semelhante, talvez um pouco mais agressivo. A pessoa para para assistir, comenta, compartilha, xinga alguém. O sistema registra novamente. Em seguida, oferece mais conteúdo capaz de despertar a mesma reação. É um modelo de negócio que sequestra a atenção, utilizando mecanismos de recomendação que aprendem com o comportamento dos próprios usuários. Se a raiva faz alguém permanecer mais tempo na plataforma, a raiva se transforma em isca. O algoritmo cumpre os objetivos para os quais foi desenvolvido, num negócio em que a atenção humana vale mais do que a saúde intelectual e moral de quem a fornece.

A indignação é transformada em mercadoria. O indivíduo pensa que está participando de uma grande batalha moral, enquanto a plataforma lucra com o tempo que ele dedica àquela cruzada. Enquanto isso, o anunciante compra espaço. O influenciador conquista audiência. O político beneficiado por determinada postura ganha uma tropa de seguidores. E o cidadão que entrou na internet para saber das notícias sai de lá disposto a esfolar alguém em nome de um sentimento RADICALIZADO e insuflado pela retroalimentação. O freguês paga com a própria tranquilidade e ainda agradece ao comerciante pela oportunidade de passar raiva. Mas como essa máquina consegue exercer tamanha influência?

O ser humano não é uma criatura governada exclusivamente pela razão. Se fosse, a indústria da propaganda teria falido há décadas, os demagogos estariam desempregados e os fabricantes de promessas eleitorais precisariam procurar outra profissão. Todos temos medos, desejos, inseguranças, ressentimentos e necessidades de reconhecimento. Queremos pertencer a algum grupo, ser respeitados, sentir que nossa vida tem valor e acreditar que compreendemos o mundo. Essas necessidades são humanas.

Uma pessoa insegura pode ser seduzida pela promessa de superioridade. Uma pessoa ressentida pode ser convencida de que todos os seus problemas têm um único culpado. Alguém assustado pode aceitar qualquer discurso que prometa proteção. Uma pessoa solitária pode encontrar numa comunidade digital o acolhimento que lhe faltava e, pouco a pouco, descobrir que esse acolhimento depende de repetir determinadas opiniões e odiar determinados adversários. A manipulação começa oferecendo uma resposta emocional para uma dor real. Depois transforma essa resposta numa identidade. Por fim, exige fidelidade. Quando o indivíduo percebe, já não está apenas apoiando uma ideia: está defendendo o grupo ao qual entregou sua autoestima.

Muitas vezes, temos dificuldade para reconhecer em nós mesmos aquilo que condenamos nos outros. Nossas fraquezas, nossas contradições e nossos impulsos menos nobres podem ser empurrados para o fundo da consciência. Depois, projetamos nos adversários aquilo que não suportamos enxergar em nós. A pessoa que não tolera a própria agressividade imagina que todos os adversários são monstros violentos. Quem não admite a própria intolerância passa o dia denunciando a intolerância alheia. Quem não consegue conviver com as próprias dúvidas transforma a certeza absoluta numa espécie de armadura psicológica. O manipulador habilidoso não precisa inventar todas essas feridas. Basta descobrir onde elas estão e apertá-las. É por isso que certos discursos produzem reações tão desproporcionais.

Uma informação contrária à crença de alguém deixa de ser recebida como informação e passa a ser sentida como uma agressão pessoal. O indivíduo não escuta o argumento: escuta uma ameaça à própria identidade. Não examina a evidência: procura uma maneira de destruir quem a apresentou. Não pergunta se está errado: pergunta como pode vencer a discussão. O raciocínio, que deveria servir à procura da verdade, transforma-se em advogado de uma conclusão já decidida. A inteligência continua funcionando, mas foi contratada para defender o preconceito. É uma espécie de escritório de advocacia instalado dentro da cabeça, com a desvantagem de que o advogado nunca perde uma causa, porque o juiz, o júri e o réu são a mesma pessoa.

A manipulação subliminar também precisa ser compreendida sem fantasias. Não é necessário acreditar que mensagens secretas sejam capazes de hipnotizar multidões para perceber como somos influenciados sem examinar conscientemente cada estímulo. A repetição de uma afirmação pode torná-la familiar. Uma imagem pode provocar medo antes que haja tempo para analisar seu contexto. Uma manchete pode orientar a interpretação antes mesmo da leitura da notícia. A associação repetida entre um grupo social e a criminalidade, por exemplo, pode alimentar preconceitos mesmo quando a realidade é muito mais complexa. A escolha do que mostrar, do que esconder, do que repetir e do que apresentar como urgente interfere na maneira como construímos nossas impressões. Não se trata de magia, mas de influência psicológica. E a influência pode ser especialmente poderosa quando encontra alguém cansado, assustado, desinformado ou cercado de gente que repete a mesma história.

A repetição, entretanto, não transforma uma mentira automaticamente em verdade. O que pode acontecer é algo mais sutil e igualmente perigoso: a mentira passa a parecer familiar, e a familiaridade é confundida com credibilidade. Depois de ouvir uma afirmação centenas de vezes, alguém pode começar a pensar que deve haver alguma verdade nela, mesmo sem jamais ter encontrado uma prova. É assim que a propaganda prospera. Primeiro se lança uma suspeita. Depois se repete a suspeita. Em seguida, a suspeita vira certeza, e a certeza passa a ser usada como prova da própria suspeita. Quando aparece uma informação capaz de desmenti-la, o indivíduo já está emocionalmente comprometido com a narrativa. Em vez de rever a crença, acusa quem a contesta de fazer parte de uma conspiração. A mentira ganha uma blindagem contra a realidade. É uma obra-prima da estupidez organizada: quanto menos provas existem, mais sofisticada se torna a explicação para justificar a ausência delas.

O velho Marx ajuda a compreender por que esse fenômeno não pode ser reduzido à falta de inteligência de quem cai na armadilha. Em A ideologia alemã, escrita com Friedrich Engels, Marx examina a relação entre as condições materiais da sociedade e as ideias que nela predominam. Um dos pontos fundamentais de sua análise é que as ideias dominantes podem estar relacionadas aos interesses das classes que dominam materialmente a sociedade. Em outras palavras, quem possui poder econômico também pode dispor de meios privilegiados para influenciar a produção e a circulação das ideias.

Pensemos no trabalhador que passa o mês inteiro lutando para pagar as contas. Em vez de discutir por que seu salário não acompanha o custo de vida, por que determinados serviços essenciais são inacessíveis ou por que a riqueza se concentra de maneira tão desigual, ele pode ser levado a acreditar que o grande inimigo é alguém ainda mais pobre do que ele. O trabalhador precarizado passa a desprezar o desempregado. O empregado mal remunerado considera o beneficiário de um programa social um parasita. O cidadão endividado culpa os que recebem algum auxílio, enquanto os mecanismos econômicos que limitam suas possibilidades permanecem fora de seu campo de visão. A energia que poderia ser usada para compreender os problemas e discutir soluções coletivas é desperdiçada numa guerra entre pessoas que, em muitos aspectos, compartilham dificuldades semelhantes.

A ideologia realiza sua façanha mais impressionante quando o explorado aprende a justificar a própria exploração e ainda se oferece para defender os exploradores. O indivíduo aceita como natural uma desigualdade que foi historicamente construída. Acredita que o fracasso é sempre culpa individual, mas que o sucesso dos privilegiados é necessariamente resultado de mérito. Defende uma competição cujas regras não ajudou a estabelecer e trata qualquer tentativa de corrigir as desigualdades como uma ofensa à liberdade. O problema deixa de ser a estrutura e passa a ser o indivíduo que sofre suas consequências. A sociedade produz a injustiça e depois contrata o injustiçado para vigiar os outros injustiçados.

Na era digital, essa produção ideológica pode ganhar uma precisão inédita. Antigamente, a propaganda precisava falar a grandes públicos por meio de jornais, rádios, televisões, instituições religiosas e organizações políticas. Hoje, as plataformas podem organizar fluxos personalizados de conteúdo a partir de sinais de comportamento, preferências e interações. Pessoas diferentes podem receber mensagens diferentes para serem conduzidas a conclusões semelhantes. Para uma pessoa, a mensagem pode vir embrulhada em patriotismo; para outra, em religião; para uma terceira, em ressentimento contra os pobres; para uma quarta, em medo da mudança. Cada qual recebe a embalagem que melhor conversa com suas emoções. A ideologia deixa de parecer uma doutrina imposta de fora e passa a apresentar-se como a expressão mais íntima da personalidade do indivíduo. O sujeito acredita que chegou sozinho à conclusão, sem perceber que o ambiente informacional em que se movimenta pode ter favorecido determinadas ideias e tornado outras praticamente invisíveis.

E isso já não diz respeito apenas aos trabalhadores. A manipulação alcança profissionais liberais, empresários, professores, estudantes, religiosos, artistas, intelectuais e qualquer pessoa que dependa de informações para compreender o mundo. O rico pode ser convencido de que a solidariedade ameaça sua liberdade. O indivíduo de classe média pode ser convencido de que o vizinho pobre é seu verdadeiro inimigo. O religioso pode ser levado a confundir a vontade de Deus com os interesses de um líder político. O intelectual pode ser usado para alimentar a própria vaidade e desprezar quem não teve as mesmas oportunidades de estudar. O cidadão instruído pode tornar-se tão prisioneiro de seus preconceitos quanto aquele que jamais frequentou uma universidade. A escolaridade ajuda, mas não imuniza ninguém contra a manipulação. Há pessoas com muitos diplomas e pouquíssima disposição para examinar as próprias certezas.

É nesse ponto que podemos falar numa cauterização digital da consciência. A mente vai perdendo a disposição para a dúvida, a paciência para a investigação e a coragem de reconhecer que pode estar errada. O indivíduo se acostuma a receber tudo pronto: a notícia já vem com o culpado, a fotografia já vem com a interpretação, o vídeo já vem com a indignação recomendada e o comentário já vem com a lista dos inimigos. Não precisa pensar muito. Precisa apenas escolher de que lado está. A realidade, com suas ambiguidades e contradições, torna-se inconveniente.

O pensamento crítico exige tempo; a plataforma oferece velocidade. A compreensão exige contexto; a publicação viral oferece um recorte. A reflexão exige silêncio; a máquina oferece uma sucessão interminável de estímulos. Aos poucos, a pessoa pode perder o hábito de investigar e adquirir o vício de reagir.

A pessoa mentalmente cauterizada pela via digital não é aquela que deixou de ler. Pode ser justamente aquela que lê o dia inteiro e já não consegue pensar sobre o que lê. Recebe centenas de informações, mas não distingue o essencial do acessório. Conhece todos os escândalos, mas não compreende as estruturas. Tem uma opinião sobre tudo, mas não sabe explicar por que acredita no que acredita. Confunde a quantidade de conteúdo consumido com a profundidade do conhecimento adquirido. É possível passar dez horas por dia conectado e continuar intelectualmente desinformado. A abundância de informação não garante liberdade de pensamento, assim como uma mesa coberta de alimentos não garante uma alimentação saudável. Também é possível morrer de indigestão diante de um banquete.

O resultado mais brutal dessa deformação aparece na maneira como as pessoas tratam umas às outras. A divergência deixa de ser parte normal da vida democrática e transforma-se em ofensa. O contraditório vira ameaça. O adversário deixa de ser um cidadão com quem se discorda e passa a ser um inimigo que precisa ser humilhado, expulso ou destruído. A pessoa já não compartilha uma informação porque a considera útil, mas porque deseja ferir alguém. Não discute para esclarecer, mas para vencer. Não denuncia uma injustiça para proteger a vítima, mas para desfrutar da oportunidade de odiar o culpado. Até a moral pode ser convertida em espetáculo, desde que o espetáculo renda aplausos. A crueldade veste a roupa da coragem, a intolerância apresenta-se como firmeza de princípios e a ignorância desfila com a arrogância de quem acredita possuir a verdade inteira.

É assim que o ódio se transforma em identidade. O indivíduo precisa de um inimigo permanente porque sua visão de mundo depende da existência desse inimigo. Se o adversário desaparece, desaparece também uma parte da identidade construída em torno do combate. Por isso, nenhuma explicação parece suficiente, nenhuma correção encerra a discussão e nenhuma evidência satisfaz quem precisa continuar odiando. O objetivo já não é resolver o problema, mas preservar a hostilidade. O conflito tornou-se uma necessidade emocional. A pessoa pode até afirmar que deseja paz, mas alimenta diariamente os mecanismos que tornam a paz impossível. Quer tranquilidade, desde que todos os outros se calem. Quer liberdade, desde que ninguém discorde. Quer respeito, mas não reconhece a dignidade de quem pensa diferente.

A tragédia é que esse processo destrói também quem odeia. A pessoa vive permanentemente excitada, indignada, desconfiada e pronta para atacar. Rompe amizades, transforma a família em campo de batalha e perde a capacidade de conversar sem procurar uma ofensa escondida. Sua vida mental passa a girar em torno de pessoas que talvez nunca encontre e de conflitos sobre os quais possui informações incompletas. Enquanto isso, os interesses que lucram com sua atenção continuam a prosperar. Ela acredita estar travando uma guerra histórica, mas muitas vezes está apenas alimentando uma engrenagem comercial e política que não tem qualquer compromisso com sua felicidade. O indivíduo entrega sua paz, sua atenção e sua capacidade de convivência em troca da satisfação breve de sentir que venceu uma discussão na internet. É um negócio péssimo. E o pior é que o cliente costuma voltar no dia seguinte.

Quem decide quais conteúdos ganham visibilidade? Quais critérios orientam as recomendações? Como são utilizados os dados pessoais? Que mecanismos existem para contestar decisões e responsabilizar práticas abusivas? Quem ganha dinheiro quando a sociedade se torna mais hostil, desconfiada e dividida?

As mesmas redes que espalham mentiras poderiam priorizar a aproximação de pessoas, divulgar conhecimento e dar voz a quem antes não era ouvido. Mas toda essa nova tecnologia está subordinada a modelos de negócio que tratam a atenção humana como mero recurso e a emoção como instrumento de retenção. Não é preciso que o sistema deseje conscientemente uma sociedade doente para que seus incentivos contribuam para adoecê-la. Basta que a saúde da sociedade não seja o critério principal de suas decisões.

É necessário aprender a verificar fontes, procurar o contexto original de vídeos e imagens, desconfiar de mensagens que exigem reação imediata e separar fatos comprovados de interpretações e opiniões. Mas também precisamos exigir transparência dos sistemas de recomendação, proteção efetiva de dados pessoais, responsabilização por práticas abusivas e regras democráticas para estruturas que exercem enorme influência sobre o espaço público. A responsabilidade não pode ser colocada inteiramente sobre o indivíduo, enquanto empresas e organizações dispõem de recursos incomparavelmente maiores para estudar comportamentos, testar mensagens e disputar atenção. A educação crítica é indispensável, mas não substitui a discussão sobre poder econômico, regras institucionais e responsabilidade coletiva.

A resistência começa quando alguém aprende a interromper o próprio impulso. Antes de compartilhar uma notícia, pergunta de onde ela veio. Antes de odiar uma pessoa, procura compreender o que realmente aconteceu. Antes de aceitar uma afirmação porque ela confirma suas crenças, procura uma evidência que possa verificá-la. Antes de declarar que todos os adversários são monstros, lembra-se de que a desumanização é uma das ferramentas mais antigas dos autoritários. E, sobretudo, aprende a desconfiar de quem precisa mantê-lo permanentemente enfurecido para continuar merecendo sua atenção.

Hoje, quem controla o algoritmo controla a sociedade.

As plataformas digitais não são ágoras neutras, espaços públicos e honestos de discussão: são arenas batizadas, são propriedades privadas de multibilionários que descobriram uma maneira extraordinariamente lucrativa de transformar a atenção humana em dinheiro e poder político. O anunciante compra visibilidade, o proprietário acumula fortunas e o algoritmo decide, sem nenhuma transparência, o que bilhões de pessoas verão, ignorarão, temerão ou desejarão. E eles o fazem sempre em favor dos seus próprios interesses econômicos e em prejuízo daqueles que os denunciam e combatem as suas preferências ideológicas.

Elon Musk é um exemplo eloquente. Em 12 de outubro de 2026, ele destinou mais de US$ 276 milhões a organizações do Partido Republicano e estruturas de financiamento político para as eleições legislativas americanas deste ano. Em 2024, já havia desembolsado aproximadamente US$ 288 milhões para favorecer Donald Trump e seus aliados mais próximos. Por que ele faz isso? Basta observar a convergência entre seus interesses empresariais, sua atuação política e a agenda republicana de desregulamentação econômica. Quando um bilionário financia candidaturas e controla uma das maiores plataformas de comunicação do planeta, o problema deixa de ser exclusivamente empresarial: torna-se uma questão de poder democrático.

A desigualdade escandalosa já não está só na distribuição da renda, mas também na distribuição da visibilidade. Quem dispõe de bilhões pode financiar campanhas, impulsionar mensagens e influenciar o ambiente informacional; quem não dispõe desse patrimônio disputa a atenção pública em condições brutalmente desiguais. Algoritmos opacos, sistemas de recomendação e decisões privadas de moderação ampliam apenas vozes que interessam e reduzem o alcance de outras. Poucos proprietários concentram os instrumentos capazes de determinar a formação da opinião pública.

Os donos dessas estruturas apresentam seus interesses particulares como se fossem a expressão espontânea da vontade popular, enquanto outras alternativas políticas e sociais concorrentes enfrentam uma competição profundamente desigual. Quando a concentração econômica se converte em concentração comunicacional, a liberdade de expressão só continua existindo formalmente. 

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