O engano aos pobres e a traição a Jesus: a manipulação ideológica para tergiversar a verdade

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

Um fenômeno de flagrante incoerência que vem sendo observado por aqui há algum tempo tem a ver com a frequência com que nos deparamos com pessoas de escassos recursos materiais apresentando-se como partidárias do campo político da direita, ou seja, os tais pobres de direita.

O espantoso do caso não é tanto o fato de gente de condições sociais precárias se dizer partidária e defensora dos interesses de classe dos grupos dos ricos e poderosos. É que, ao longo da história, sempre soubemos de certos elementos que preferiram aliar-se aos opressores de seu próprio povo, no intuito de, por meio de sua adesão, conseguir para si algumas vantagens pessoais, ainda que em detrimento do conjunto de seus iguais.

O que, de verdade, fica difícil de encaixar em uma racionalidade lógica é que alguém aceite desempenhar tal papel abertamente, declarando explicitamente estar servindo aos que oprimem seu próprio grupo social.

Porém, em lugar de atribuir o epíteto de traidores aos que assim andam agindo, deveríamos levar em conta que, de modo geral, tais pessoas nem mesmo sabem o que está por trás da expressão “direita”, quando esta é usada com conotação política. Muito provavelmente, a imensa maioria dos pobres que se autointitulam “direitistas” sequer tem ideia da origem deste termo e o significado que passou a representar.

Ao analisarmos com mais atenção as condições de vida dessas pessoas, acabaremos por concluir que elas são muito mais vítimas de técnicas de manipulação e desinformação do que gente mal-intencionada propondo-se deliberadamente a trair seus semelhantes. Vamos nos dar conta de que sua situação é equiparável àquela que afeta boa parte dos seguidores de certas igrejas pretensamente cristãs, os quais ali vão em seu anseio de seguir os ensinamentos de Jesus, mas são induzidos a trilhar uma rota que os conduz em sentido diametralmente oposto.

Se nossa motivação tem por objetivo fazer prevalecer os interesses mais importantes dos setores populares, precisamos ter clareza da importância de conhecer bem a essência do problema com o qual nos confrontamos. Só imbuídos deste conhecimento estaremos aptos a encontrar maneiras de contorná-lo e, na medida do possível, trazer para o campo popular um número expressivo daqueles que, hoje, estão a serviço das classes opressoras.

Talvez por nossa falha, ou omissão, não está bem difundida e nem assimilada entre nossas camadas populares a real acepção com a qual os adjetivos direita e esquerda devem ser usados. Caso estivesse, seria inimaginável encontrar um pobre que ousasse autoclassificar-se como direitista. Por isso, nossa obrigação é deixar bem evidente a todos o que essa terminologia realmente expressa.

Em primeiro lugar, falar de “esquerda” ou “direita” com relação à política não fazia nenhum sentido antes da Revolução Francesa do século XVIII. Foi no transcurso deste grande acontecimento histórico que esses dois adjetivos passaram a indicar visões e opções relacionadas com nossa maneira de posicionar-nos diante dos processos de lutas sociais. E isto, como procuraremos explicar à continuação, deu-se por razões meramente fortuitas.

No transcorrer dos embates que marcaram a luta durante aquela fase revolucionária francesa, foi estabelecida a Assembleia Nacional Constituinte, na qual participavam delegados representando os diversos grupos e classes sociais que pugnavam pelo poder. Então, ali no recinto onde as sessões se realizavam, os assembleístas procuravam se sentar próximos daqueles com quem tinham mais afinidade de interesses.

Assim, tão somente por casualidade, no lado direito, se sentaram os representantes das classes dominantes, ou seja, os que defendiam os interesses da nobreza, do alto clero católico, dos grandes proprietários de terras, dos banqueiros e grandes capitalistas em geral. Por sua vez, a ala da esquerda passou a acomodar os delegados vinculados aos camponeses, aos operários e às massas trabalhadoras em seu conjunto.

Daí, quando, em uma conversa, se dizia “o pessoal da direita”, isto indicava aqueles associados ao grupo dos grandes exploradores do povo; ao passo que, ao falar em “alguém da esquerda”, entendia-se tratar-se de uma pessoa vinculada aos interesses das massas trabalhadoras. A partir desse momento, “direita” passou a ser equivalente a apoiador dos ricos e poderosos, e “esquerda” adquiriu o significado de defensor das causas das maiorias populares.

Em vista do que expusemos acima, somente devido a sua total ignorância da evolução da história um pobre poderia autoclassificar-se como “de direita”, sem sentir-se como traidor de sua própria gente. Por isso, cabe ao campo popular fazer voltar a valer o real conteúdo da terminologia política que define os significados em questão.

Outra manipulação praticada em larga escala está relacionada com a deturpação do que deveria significar a decisão de ser fiel ao legado de Jesus. Se, como por lógica deveríamos fazer, tomarmos como orientação fundamental os exemplos de sua própria vida exibidos nos relatos dos textos dos Evangelhos, nosso comprometimento social deveria estar totalmente voltado às necessidades e aspirações das maiorias humildes de nosso povo, e não às dos poderosos, dos ricos abastados e exploradores.

Não obstante, muitas das igrejas que se apresentam como cristãs operam em completa contradição com o que Jesus defendia com ardor em sua vida. Por isso, é comum encontrarmos pastores bilionários, defendendo os interesses das classes dos bilionários e, apesar disto, tendo a cara dura de insistir em que falam em representação daquele que sempre esteve junto dos mais humildes.

Para esses verdadeiros larápios, ao invés da prática coletiva, que busca unir o conjunto dos pequenos para satisfazer a necessidade de todos, o certo seria atuar imbuído de completo egoísmo, na tentativa de acumular o máximo para si mesmo, sem nenhuma preocupação com a sina dos mais carentes. Em outras palavras, querem que os objetivos do senhor das trevas sejam aceitos como se fossem os de Jesus. Nenhum de seus seguidores sinceros deveria aceitar passivamente tamanha abominação.

Sintetizando o que procuramos expor mais acima, devemos entender que a luta ideológica contra a manipulação dos opressores também é uma necessidade. Em boa parte das situações detectadas, há gente do campo popular servindo como massa de manobra dos espoliadores de nossa gente. Embora atuem de boa fé, sua falta de embasamento histórico acaba por facilitar a manobra dos que se locupletam com o sacrifício do conjunto da nação. 

O texto acima encontra-se disponível na forma de vídeo nos seguintes enlaces:

– https://www.dailymotion.com/video/xbpd8yy

– https://youtu.be/Vl6iZCUbDNw

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