O conflito recomeça: Irã ataca bases dos EUA no Bahrein e no Kuwait
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado alvos militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait nesta quarta-feira (8).
A ação é uma resposta direta a uma onda de bombardeios americanos contra o território iraniano, deflagrada após ataques do Irã a petroleiros no Estreito de Ormuz.
Em mais um golpe contra o frágil cessar-fogo firmado no mês passado, as forças iranianas realizaram uma operação conjunta com mísseis e drones.
Os alvos foram instalações militares dos EUA em Bandar Salman (no Bahrein, sede da Quinta Frota Naval) e na Base Aérea de Ali Al Salem (no Kuwait).
O Irã também alegou ter abatido um drone MQ-9 americano.
Autoridades locais confirmaram o acionamento de sirenes de alerta aéreo, e o exército kuwaitiano informou que suas defesas enfrentaram ameaças hostis.
A ofensiva dos EUA, que atingiu sistemas de defesa aérea, vigilância costeira e mais de 60 pequenas embarcações iranianas, ocorreu após três navios mercantes terem sido alvejados no Estreito de Ormuz — incluindo o superpetroleiro saudita Wedyan e o navio de gás natural liquefeito catariano Al Rekayyat, este último atingido por um drone.
O Comando Central dos EUA (Centcom) classificou a reação iraniana como uma violação perigosa da trégua.
Por outro lado, Teerã chamou os ataques de Washington de "ato flagrante de agressão" e alertou que não aceitará interferências na gestão do estreito, onde o governo local planeja instalar um sistema permanente de cobrança de taxas de trânsito.
Paralelamente ao confronto militar, a disputa econômica escalou.
Na terça-feira (7), o governo de Donald Trump revogou uma licença crucial que permitia ao Irã exportar petróleo até agosto, dando ao país o prazo limite de 17 de julho para encerrar as transações.
A medida fez os preços do petróleo subirem mais de 3%.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão e declarou que tomará todas as medidas necessárias para proteger sua segurança nacional.
A crise ocorre em um momento de extrema sensibilidade política no Irã, dias após grandes multidões prestarem homenagem na cidade sagrada de Qom ao Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, morto junto com sua família no início do conflito.
O acordo provisório previa um período de 60 dias para negociações, mas as conversas indiretas mediadas pelo Catar terminaram na semana passada sem progresso.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, alertou que os diálogos para um acordo definitivo não começarão enquanto os EUA mantiverem suas ameaças de retomar os bombardeios.
