Nova forma de uso de medicamento contra câncer no sangue é aprovada pela Anvisa

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

Uma nova forma de uso do medicamento isatuximabe, indicado para o tratamento do mieloma múltiplo, recebeu aval Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última semana. Já liberado para infusões intravenosas ou aplicação subcutânea manual, o remédio poderá ser utilizado com um dispositivo automatizado e portátil capaz de reduzir o tempo de administração e eventuais reações ligadas às infusões.

A resolução foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). O isatuximabe, de nome comercial Sarclisa, foi liberado pela Anvisa em 2021.

Esta nova aprovação inclui a possibilidade de fazer o tratamento utilizando um injetor desenvolvido para a administração de medicamentos de grande volume, chamado CirCLIQ, e teve como base, de acordo com a farmacêutica Sanofi, um estudo que demostrou que não havia inferioridade do método em relação aos outros tipos de aplicação já consolidados na prática médica.

“A transição do método intravenoso convencional para a tecnologia do subcutâneo automatizado confere uma redução substancial no tempo de permanência ambulatorial e mitiga os riscos de eventos adversos infusionais, consolidando a evolução da hematologia rumo a tratamentos com melhor perfil de tolerabilidade e menor sobrecarga ao paciente”, explica Vania Hungria, cofundadora da International Myeloma Foundation Latin America e médica hematologista na Clínica São Germano.

O mesmo ensaio de fase 3, o IRAKLIA, encontrou um expressivo benefício que impacta a qualidade de vida dos pacientes: entre as pessoas tratadas com a infusão, 25% apresentaram algum tipo de reação relacionada ao tratamento. No grupo da administração subcutânea com o aparelho, o índice foi de 1,5%.

Continua após a publicidade “Representa um avanço importante nessa jornada, ao trazer mais conforto e conveniência e contribuir para reduzir o impacto do tratamento no dia a dia de quem vive com mieloma múltiplo”, disse Anne Pradeilles, líder da Unidade de Oncologia na Sanofi Brasil.

Como funciona o dispositivo Para a nova administração do medicamento, é necessário utilizar o on-body injector – OBI, um dispositivo de infusão portátil que conta com uma agulha retrátil mais fina e curta do que as convencionais.

Um estudo publicado no ano passado no Journal of Clinical Oncology, da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês), mostrou que o tempo de aplicação do medicamento foi de 13 minutos e que 70% dos pacientes declararam que estavam satisfeitos ou muito satisfeitos.

Continua após a publicidade “A expectativa de vida dos pacientes de mieloma múltiplo quintuplicou nos últimos vinte anos.

Isso é uma ótima notícia, mas que também gerou um novo desafio: garantir que as pessoas possam viver mais tempo com qualidade. Precisamos tornar a jornada terapêutica menos desgastante para pacientes e familiares”, diz Hungria.

Sobre o mieloma múltiplo Segundo tipo de câncer de sangue mais comum no mundo, o mieloma múltiplo é uma condição sem cura causada pelo aumento de células do sistema imunológico (os plasmócitos), que passam a se aglomerar na medula óssea e podem danificar o funcionamento de órgãos.

Entre os sintomas, estão: dor nos ossos, anemia, alteração no funcionamento dos rins, fraqueza e infecções recorrentes. Continua após a publicidade

Mieloma múltiplo: células do segundo tipo mais frequente de câncer no sangueIlustração: Nemes Laszlo/Getty Images  

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