O ex-governador de Goiás e candidato derrotado na disputa à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), reconheceu a vitória de Lula da Silva (PT) para os próximos quatro anos do Palácio do Planalto. Segundo ele, apesar da derrota de Flávio Bolsonaro (PL), candidato apoiado pelo grupo, Caiado ressaltou que o resultado das urnas deve ser respeitado e reconheceu a decisão da maioria dos eleitores brasileiros.
“O sentimento que nós trabalhamos é por uma grande mudança no país, uma oxigenação nas ideias, um sentimento de prosperidade, de buscar um país competitivo internacionalmente. Sempre foi esse o nosso ponto de vista.
Nós conseguimos transformar Goiás em uma referência de gestão. Então, era exatamente esse choque de desenvolvimento, de capacidade, avanço na educação, na tecnologia, na inovação e na pesquisa.
Todos nós investimos nessa ideia, acreditamos nessa ideia, mas nós, como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e ao resultado da apuração. Essa sempre foi a nossa característica”, destacou.
Caiado cobra responsabilidade fiscal, combate ao crime e respeito aos estados O ex-governador defendeu a adoção de medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas, ao enfrentamento da criminalidade e à redução das tensões políticas entre o governo federal e os estados.
Ele também voltou a cobrar recursos federais para a saúde pública de Goiás. Segundo o ex-governador, o estado reivindica uma dívida superior a R$ 1,3 bilhão, questão que foi levada ao Supremo Tribunal Federal durante sua gestão.
Caiado afirmou que o presidente reeleito deverá priorizar a responsabilidade fiscal e evitar medidas que, na avaliação dele, possam comprometer a estabilidade econômica. “Eu espero seriedade, que realmente leve a responsabilidade fiscal como sendo uma referência do seu governo, que leve o combate ao crime e à corrupção no país como prioridades e que busque cada vez mais governar sem retaliar.
Goiás é um estado que clama por um tratamento justo por parte da área da saúde. Quando governador do estado, eu recorri ao Supremo Tribunal Federal por uma dívida de mais de R$ 1,3 bilhão, com todas as provas documentais”, afirmou.
“Ele terá que respeitar o equilíbrio fiscal, fazer medidas que não sejam populistas nem desestabilizadoras da economia do país. Quem paga é o povo, com uma taxa de juros exorbitante.
Terá que ter a coragem de fazer uma política de pacificação, respeitando os governadores eleitos nas suas bases e, em terceiro lugar, um combate sério ao crime organizado, às milícias e às facções”, complementou. Caiado atribui derrota de Flávio Bolsonaro ao desempenho em outros estados
Para Caiado, Goiás e os demais estados do Centro-Oeste apresentaram o desempenho esperado pelo grupo político. Na avaliação dele, o resultado nacional foi determinado principalmente pela diferença de votos registrada em outras regiões.
Mas avaliou Minas Gerais como um estado decisivo para a definição da disputa presidencial. Segundo ele, a mudança no desempenho dos candidatos entre os eleitores mineiros foi determinante para a vantagem alcançada por Lula da Silva (PT).
“Nós mantivemos uma frente aqui que, se tivesse sido preservada em outras regiões, nós estaríamos eleitos. Então, nós fizemos a tarefa de casa aqui em Goiás, e o Centro-Oeste fez a tarefa de casa.
Eu não posso responder por aquela frente de quase 40% a mais em vários estados da Federação e, mais uma vez, Minas Gerais foi a balança da decisão da eleição no segundo turno”, reforçou. Prorrogação da votação pode provocar contestações
Ao comentar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação da votação em duas horas, Caiado avaliou que a medida pode provocar questionamentos jurídicos e ampliar o desgaste de um processo eleitoral marcado pela polarização.
O ex-governador considerou a decisão desrespeitosa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas evitou antecipar uma avaliação jurídica sobre seus efeitos. Ele também defendeu que o país encerre o período de disputas eleitorais e busque uma maior estabilidade política.
“Essa parte, sem dúvida, vai dar motivo a algumas contestações. Não caberá a mim aqui fazer um julgamento jurídico desse processo, até porque o ministro do Supremo deu uma decisão que eu acho que foi, sinceramente, desrespeitosa ao Tribunal Superior Eleitoral.
Acho que isso só trouxe mais desgaste a um processo que está muito acirrado e pode colocar ainda em discussão um fato que o Brasil já não aguenta mais ficar se arrastando em crise. O que nós precisávamos no Brasil hoje era virar a página.
Espero que, realmente, o governo entenda que não vale a pena mais e que resgate o sentimento de harmonia no país”, aponta. Leia também: “A vontade do povo é soberana”, diz Daniel Vilela ao reconhecer vitória de Lula e cobrar mudanças no governo
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