Nunca antes na História deste país. O bordão dos discursos de Lula ajuda a explicar o ineditismo da corrida presidencial de 2026.
Nunca antes um candidato derrotado no primeiro turno havia conseguido virar o jogo no segundo. Nunca antes um presidente havia sido eleito aos 80 anos.
Nunca antes alguém havia sido escolhido quatro vezes para governar o Brasil. A virada de Lula surpreendeu até aliados próximos.
Ontem de manhã, o clima no PT era de ceticismo com as chances de reeleição. As pesquisas da véspera, que deram leve vantagem a Flávio Bolsonaro, haviam desanimado o partido.
O desânimo era visível na comitiva que foi a São Bernardo do Campo assistir ao voto do presidente. Os lulistas acreditaram nas previsões de que a abstenção e o antipetismo derrotariam o presidente.
Deu-se o contrário: o medo da volta da extrema direita aumentou em 3 milhões o comparecimento às urnas. Idosos, cadeirantes e jovens que não se interessavam por política entenderam que cada voto importava para proteger a democracia.
A virada também se deve a uma guinada brusca na campanha. Depois de erros em série no primeiro turno, Lula convocou campeões de voto no Nordeste e entregou o comando das redes para André Janones.
O autoproclamado general ensinou a tropa a combater com as armas do inimigo. Seu “Exército de Lula” recrutou 10 milhões de soldados, derrubando o mito de que o bolsonarismo seria invencível na guerra digital.
A reviravolta nas redes foi acompanhada de um movimento inédito nas ruas. A partir de uma passeata de estudantes em Niterói, multidões passaram a ocupar praças e avenidas em todo o país, com e sem a presença do candidato.
No discurso da vitória, Lula disse que a mobilização histórica o obrigará a buscar um “novo jeito” de governar e se comunicar. Num país tão dividido, e com a oposição inflamada pela fala golpista de um mau perdedor, é bom ter pressa.
O Globo