Nobel de Química 2026: por que Henri Kagan ficou de fora da premiação de 2001 e só foi reconhecido 25 anos depois

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O anúncio do Nobel de Química de 2026, nesta quarta-feira, resgata uma antiga controvérsia envolvendo Henri Kagan. Reconhecido agora pela Academia Real Sueca de Ciências por suas contribuições à catálise assimétrica, o químico francês havia ficado fora da premiação de 2001, quando o Nobel foi concedido a William Knowles, Barry Sharpless e Ryoji Noyori por trabalhos relacionados à mesma área.

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A descoberta que ficou fora do Nobel Na época, o jornal francês Le Monde registrou a reação de consternação entre químicos franceses diante da escolha.

Kagan, então professor da Universidade Paris-Sud, em Orsay, havia publicado em 1971 um trabalho considerado pioneiro ao demonstrar que era possível realizar a hidrogenação assimétrica de olefinas e obter moléculas opticamente ativas. O avanço estava ligado ao desenvolvimento do DIOP, um composto derivado do ácido tartárico que Kagan utilizou como ferramenta para produzir, de maneira seletiva, uma versão específica de uma molécula.

A técnica abriu caminho para a produção de uma variedade de compostos e ganhou importância também na indústria farmacêutica. Segundo o Le Monde, a expectativa na França era de que Kagan recebesse o Nobel justamente por ter sido um dos primeiros pesquisadores a desenvolver a catálise assimétrica.

O jornal argumentava que, embora Knowles, Sharpless e Noyori fossem cientistas de grande relevância e tivessem ampliado as aplicações da área, o prêmio deveria reconhecer também o pioneirismo de Kagan. A exclusão gerou questionamentos sobre os critérios de escolha dos laureados.

O Le Monde também levantou críticas ao sistema de indicações do Nobel de Química, citando a forte presença de pesquisadores americanos entre os laureados e possíveis redes de indicação dentro da comunidade científica dos Estados Unidos. Agora, 25 anos depois, Kagan aparece entre os vencedores do Nobel de Química de 2026.

O reconhecimento coloca seu nome ao lado de Kensō Soai e dá novo capítulo a uma história que, desde 2001, era lembrada na comunidade científica francesa como uma das controvérsias em torno da premiação.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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