Nintendo bloqueia acesso a ferramenta usada para explorar falha do Switch 2

Nintendo bloqueia acesso a ferramenta usada para explorar falha do Switch 2 - Foto
Fonte da notícia: Adrenaline Adrenaline

A Nintendo tirou da eShop o SmileBASIC 4, aplicativo de programação em BASIC que saiu para o primeiro Switch, um dia depois de ele virar porta de entrada do primeiro jailbreak do Switch 2 feito só com software. O título sumiu das lojas da América do Norte e da Europa na quinta-feira (22) e, segundo usuários, do Japão ao longo do dia.

A empresa não comentou. O exploit, batizado de ns2jb, foi publicado na madrugada de quarta-feira (22) por Sammy Hajhamid, pesquisador de segurança conhecido como pepsipu.

Ele diz que usou o Codex, agente de programação da OpenAI, para achar e explorar as falhas. Funciona no firmware 23.0.1, que é o mais recente do console, e não exige chip nem solda.

i jailbroke the nintendo switch 2so i modded cinnamoroll, peter griffin, hatsune miku, and more into Mario Kart World, a switch 2 exclusivenow watch my friends and i get cooked by botslearn more and get the exploit pic.twitter.com/BOcFhejRz1— pepsipu (@pepsipu) October 22, 2026

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Como o ns2jb usa um jogo do Switch 1 para invadir o Switch 2 Tudo começa na retrocompatibilidade, porque o SmileBASIC 4 roda no Switch 2 como jogo do console anterior.

Assim, ele escapa das proteções de PAC e CFI que o hardware novo impõe ao software nativo. Segundo o relato técnico do autor, o Codex achou um estouro de inteiro de 32 bits no interpretador BASIC.

Ao remover itens de um array com valores enormes, a soma de posição e contagem “dá a volta”, vira negativa e passa na checagem de limites. Um dia depois do exploit, modders já mostraram a API gráfica Vulkan funcionando em código próprio no console.

Foto: Reprodução/@ravensclawx Esse erro dá leitura e escrita fora dos limites da memória do aplicativo, o que bastou para escalar até o módulo de sistema fs, responsável pelo sistema de arquivos, onde um caminho malformado estoura um buffer de 769 bytes.

Com controle do fs, o exploit troca o executável que o carregador do console recebe por código próprio. Daí em diante, ele roda com as permissões de qualquer módulo comum do sistema.

“Pelo que sei, é o primeiro exploit desse tipo para o Switch 2.” Sammy “pepsipu” Hajhamid, no relato técnico do ns2jb

Para provar o ponto, o Codex modificou Mario Kart World, exclusivo do Switch 2. Cinnamoroll, Peter Griffin, Hatsune Miku e Steve, de Minecraft, entraram entre os pilotos, num vídeo que passou de 4,7 milhões de visualizações no X em um dia.

Em menos de 24 horas, outros modders mostraram a API Vulkan funcionando e um Homebrew Launcher abrindo no console. O que o jailbreak do Switch 2 já faz?

Como é um exploit tethered, o ns2jb morre quando o console desliga e precisa ser refeito a cada boot. O processo parte do jogo e de um PC que roda Node.js 22 na mesma rede, em macOS ou Linux.

Também exige a versão 4.4.9 do SmileBASIC 4 e mais de 20 MiB livres no save do aplicativo. Não é para quem só quer instalar um emulador.

Primeiras imagens de um Homebrew Launcher no Switch 2, publicadas na madrugada desta sexta. Foto: Reprodução/@AlexCVJ

Acesso ao kernel e firmware customizado seguem fora do alcance, o que deixa de fora, por enquanto, as cópias piratas que marcaram a história do primeiro Switch. O que o exploit libera é rodar homebrew, fazer engenharia reversa e mods de jogos, copiar saves e acessar a maior parte dos periféricos.

Entre os próximos passos, o autor cita portar o ataque ao WebKit, navegador embutido que a Nintendo não consegue retirar de circulação como faz com um título da eShop. Uma versão para o Switch 1 também está nos planos.

La Switch 2 ya tiene HomeBrew. Hace unas horas se anunciaba un exploit y en este día han salido varias actualizaciones, llegando hasta esto… es una locura lo rápido que avanzan estas cosas en la actualidad.

pic.twitter.com/9pEwc5DWIg— Alex CVJ (@AlexCVJ) October 23, 2026 Remoção da eShop não apaga cópias já instaladas

Tirar o SmileBASIC 4 da loja impede compras novas, mas não desativa o aplicativo em quem já o tinha. Alguns usuários relatam que ele ainda aparece à venda por páginas acessíveis pela seção de notícias do console.

O desenvolvedor Gezine, que revelou outro exploit de userland para os dois consoles, afirmou no X que o SmileBASIC “não é estritamente necessário”. Ele recomendou não atualizar o firmware só para conseguir o jogo.

O console já tinha exibido um exploit de userland no dia da estreia, em junho de 2025, sem execução de código nativo. Foto: Reprodução/Adrenaline

Há precedente na própria Nintendo, que tirou o SmileBASIC da eShop do 3DS em 2016 por causa do smilehax, exploit da mesma família que deu execução de código no portátil. Desde o lançamento do Switch 2, a empresa baniu consoles que usaram cartuchos MIG, mesmo com jogos legítimos.

Na Justiça, conseguiu uma indenização milionária de um moderador de subreddit que distribuía pirataria. Leia também:

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A falha do interpretador pode ser corrigida com uma atualização do próprio SmileBASIC 4, se a desenvolvedora quiser. Já a do módulo fs depende de um firmware novo do console, que a Nintendo costuma tornar obrigatório para jogar online.

Enquanto o patch não sai, quem quer homebrew tende a segurar o console na versão 23.0.1. Quem quer jogar online vai acabar atualizando.

Publicado no GitLab sob licença aberta, o código do ns2jb já circula, e o autor diz esperar “homebrew, emulação e mods” no Switch 2 em breve. Se tivesse o SmileBASIC instalado, você arriscaria um ban para testar?

Fonte(s): pepsipu (relato técnico), GitLab (ns2jb), Nintendo Life e The Verge Conteúdo Relacionado

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Publicação Original Adrenaline adrenaline.com.br
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