Netanyahu critica partidos árabes após votação histórica

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Fonte da notícia: Noticias do Planalto Noticias do Planalto

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus aliados intensificaram nesta quinta-feira (29) os ataques aos partidos árabes israelenses que podem auxiliar a oposição a alcançar a maioria parlamentar após as eleições, acusando-os de receberem financiamento do Catar. Um dos principais representantes árabes negou veementemente tais acusações, assim como o governo de Doha.

Com mais de 90% dos votos apurados, a coalizão de Netanyahu lidera frente à do centrista Gadi Eisenkot, seu maior oponente, porém sem maioria absoluta. As listas árabes, Raam e a Lista Unificada, conquistaram seu melhor resultado histórico, podendo ser decisivas para formar o novo governo.

As acusações contra os partidos árabes aumentam a incerteza sobre o resultado eleitoral, com a oposição afirmando que Netanyahu tenta desacreditar o processo para atrasar a posse do próximo Parlamento, em que a coalizão atual dificilmente conseguirá maioria. Essas denúncias também ameaçam mergulhar Israel em uma crise política num contexto de conflito regional, enquanto Netanyahu considera uma ação militar contra o Irã.

Acusações contestadas O presidente Isaac Herzog pediu apuração dos “elementos suspeitos”, mas alertou contra a estigmatização generalizada da comunidade árabe israelense, que votou massivamente para retirar do poder o governo mais conservador da história do país.

O líder do Raam, Mansour Abbas, negou categórica e enfaticamente as acusações, afirmando que não há provas. A Lista Unificada interpretou as acusações como um sinal de medo do primeiro-ministro diante do avanço das forças árabes.

Na noite anterior, o chefe da Comissão Eleitoral, Noam Sohlberg, solicitou a investigação dos órgãos de inteligência internos, Shin Bet, sobre as denúncias de financiamento estrangeiro na campanha feitas pelo Likud. Não foram detalhados os partidos suspeitos nem as evidências, apenas menções ao Catar e possivelmente à Turquia, ambos vistos pelo governo israelense como centros de islamismo político hostil.

O Catar negou qualquer interferência nas eleições, com Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catariano, qualificando as acusações como “tão ridículas quanto perigosas”. Netanyahu também esteve sob suspeita no passado devido a acusações relacionadas ao emirado, após dois assessores terem sido detidos por supostamente receber pagamentos daquele país.

Declarações duras e tensões O partido Likud declarou que “as eleições foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a destruição do Estado judeu”.

Durante a campanha, Netanyahu acusou repetidamente essas formações de ameaçar a existência de Israel. Para o Likud, o caso representa um ataque à democracia, com a intenção de islamizar Israel e derrubar o governo de direita, enfraquecendo as forças armadas, especialmente em relação ao Irã.

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, político de extrema direita, pediu a prisão imediata dos líderes dos partidos árabes suspeitos de receber dinheiro do Catar. Contexto das denúncias e cenário político

No dia das eleições, Netanyahu acusou o Raam de tentativa de fraude após a detenção de três pessoas com envelopes contendo dinheiro perto de uma seção eleitoral, embora a comissão eleitoral tenha descartado fraude em larga escala. O Likud afirmou que nenhum partido sionista deve colaborar com Raam ou a Lista Unificada, pois isso colocaria Israel em risco.

Com a apuração quase finalizada, a coalizão de Netanyahu projeta 53 cadeiras, à frente das 48 da oposição liderada por Gadi Eisenkot, mas ainda sem maioria em um Parlamento de 120 assentos. Os partidos árabes, com 19 cadeiras, têm papel crucial para que a oposição forme governo, embora até o momento essa coalizão tenha evitado alianças com eles.

Gadi Eisenkot afirmou que denúncias devem ser investigadas, mas sem serem usadas para atrasar a constituição do novo Parlamento. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, manifestou esperança de que a formação do novo governo promova retomada do diálogo para que Israel e Palestina possam coexistir com segurança, estabilidade e paz.

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