O bispo polonês Andrzej Jez foi condenado nesta quinta-feira por não denunciar às autoridades abusos sexuais contra menores cometidos por dois padres de sua diocese. A decisão em primeira instância é inédita na Polônia, país católico e terra natal do falecido Papa João Paulo II.
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O Tribunal de Tarnów, no sudeste do país, determinou que o religioso cumpra dois anos de liberdade condicional e tenha 25% do salário retido durante o mesmo período. O valor será destinado a uma associação de proteção à infância.
Após o anúncio da sentença, a porta-voz do distrito de Tarnów, Małgorzata Stanisławczyk-Karpiel, elogiou a decisão e a classificou como um "veredicto sem precedentes". A defesa informou que recorrerá da condenação.
Bispo não poderia alegar sigilo da confissão A acusação afirmou que o bispo não poderia invocar o sigilo da confissão para justificar a omissão.
Segundo a promotoria, a jurisprudência canônica estabelecida pelo falecido Papa Francisco determina que essa proteção não se aplica a casos de abusos sexuais. Desde 2017, o Código Penal polonês obriga todos os cidadãos a comunicar casos dessa natureza às autoridades competentes, independentemente do status do agressor.
A promotoria acrescentou que, embora o bispo tenha informado sobre os fatos, os prazos legais já haviam expirado, o que permitiu que os padres envolvidos escapassem, em parte, da Justiça. A prescrição se aplica a um dos dois padres.
As agressões atribuídas ao segundo religioso, que tem saúde frágil, continuam sendo objeto de um processo. Segundo a imprensa polonesa, haveria dezenas de supostas vítimas nesse caso.
O Globo