Partido Comunista Chinês expulsa número recorde de dirigentes e reforça 'disciplina' de olho em quarto mandato de Xi Jinping

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Partido Comunista Chinês expulsou um número recorde de 33 integrantes de seu Comitê Central ao fim de uma das principais reuniões políticas do ano, que terminou nesta quinta-feira em Pequim com o menor número de participantes desde a morte de Mao Tsé-Tung, em 1976. Liderada pelo presidente Xi Jinping, a quinta plenária decidiu “aprofundar a governança integral e rigorosa do partido”, o que inclui intensificar a luta contra a corrupção, segundo a agência estatal Xinhua.

A reunião ocorre um ano antes do congresso do partido, no qual Xi, de 73 anos, deve ser designado para um quarto mandato consecutivo, algo que nenhum líder chinês conseguiu desde Mao. Xi nos EUA: Visita de Xi Jinping a Trump passou por semanas de negociações para garantir recepção no mais alto nível diplomático

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Segundo a rede britânica BBC, a plenária reuniu 279 membros do Comitê Central, contra 315 na anterior, em outubro de 2025, e 364 na de julho de 2024. É a primeira vez em 14 anos de governo de Xi que a participação fica abaixo de 300.

Em 2022, o atual Comitê Central começou o mandato com mais de 370 integrantes. Como resultado dos expurgos, a reunião teve o menor número de participantes desde a morte de Mao, em 1976.

Dos 33 expulsos, 16 são militares, segundo o comunicado divulgado ao fim da reunião de quatro dias, realizada a portas fechadas em um hotel da capital. Não está claro de que são acusados, além de “graves violações disciplinares e legais”, uma formulação vaga que se tornou rotina na campanha anticorrupção de Xi.

Com as novas expulsões, o total de membros do Comitê Central afastados no terceiro mandato do presidente chega ao recorde de 51, contra 35 no primeiro e cinco no segundo. No comunicado, o partido afirmou ter enfrentado “a dura realidade” de que sua liderança, em alguns momentos, foi “enfraquecida ou esvaziada”, e prometeu continuar a “voltar a faca para dentro” para conter a desordem.

O presidente chinês, Xi Jinping, sendo aplaudido no congresso nacional do Partido Comunista Chinês (PCC), em 2018 GREG BAKER/AFP

— A campanha vai continuar e se expandir dependendo de quão seguro Xi se sente, e não de qualquer problema real de corrupção — disse à BBC Chong Ja Ian, pesquisador não residente do Carnegie China, para quem a ofensiva se tornou um esforço para consolidar e manter a autoridade do presidente.

Fora da plenária, o principal órgão anticorrupção da China informou que 680 mil pessoas foram punidas em todo o aparato do partido nos nove primeiros meses deste ano. Generais e ex-membros do Politburo

Entre os expulsos estão Ma Xingrui, ex-chefe do partido em Xinjiang, os ex-generais de alto escalão Zhang Youxia e Liu Zhenli e o diplomata Liu Jianchao, que desapareceu da vida pública em julho do ano passado. Zhang Youxia, que era o militar de maior patente do país e vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC), que controla as Forças Armadas, foi destituído em agosto, após meses de investigação por corrupção.

Em Washington: Xi Jinping afirma que China e EUA devem ser 'parceiros, não rivais', diz mídia estatal Com a saída dele, a comissão, que deveria ter sete integrantes, ficou com apenas dois: Xi, como presidente, e Zhang Shengmin, como vice.

Chefe anticorrupção das Forças Armadas, Zhang Shengmin foi promovido nesta semana ao Politburo, o principal órgão de decisão do país. O colegiado de 24 membros chegou a ficar com 21 depois das quedas de Ma, de Zhang Youxia e, em 2025, do ex-general He Weidong, e agora volta a 22.

O expurgo na cúpula militar está “em uma categoria própria”, escreveram os pesquisadores Neil Thomas, Lobsang Tsering e Shengyu Wang, do Asia Society Policy Institute. Segundo eles, a ofensiva “levanta sérias questões sobre a liderança organizacional e a prontidão para o combate”, mesmo enquanto a China continua a apresentar novos armamentos.

— Xi tem poucos escrúpulos em afastar pessoas que ele mesmo promoveu. O fato de fazer isso à vontade, com pouca oposição, mostra o quanto sua posição é inatacável neste momento — afirmou Chong.

Rumo a 2027 Para analistas, a ênfase na disciplina, interpretada por muitos como lealdade, está ligada ao congresso do partido no próximo ano.

Em janeiro, Xi alertou contra os “quadros de duas caras”, que se dizem leais, mas desobedecem ordens e agem em interesse próprio. — Reforçar o controle, especialmente em questões de pessoal, é um passo preparatório essencial para que Xi garanta que a extensão de seu mandato ocorra sem qualquer contratempo — afirmou Steve Tsang, diretor do Instituto SOAS sobre a China, em Londres.

Chong avalia que, a longo prazo, a concentração de poder pode ter um custo. — A leitura da plenária sugere que ele pretende estar no centro da China e do Partido Comunista no futuro próximo.

Mas, mais adiante, essa concentração de poder pode abrir caminho para um vácuo de poder mais sério quando Xi envelhecer e desacelerar — disse à BBC. Com AFP

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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