“Nem um palito de fósforo”: Haddad defendeu boicote em Davos e agora o PT vai ao MP contra boicote a petistas

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Fonte da notícia: Jornal Razão Jornal Razão

Um vídeo de Fernando Haddad (PT) voltou a circular nas redes sociais nesta quarta-feira (28). Na gravação, feita em janeiro de 2023 no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, quando ele já era ministro da Fazenda, Haddad diz que consumidores podem pressionar empresas e afirma: “Eu não compro nem um palito de fósforo de uma empresa que não tenha compromissos com essas questões”.

A fala voltou à tona depois que listas com nomes de comerciantes, profissionais e trabalhadores apontados como eleitores do PT passaram a circular após a reeleição de Lula, no domingo (25), com pedidos de boicote e, em alguns casos, de demissão. Há listas em cidades de Santa Catarina, como Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas e Angelina, e em outros estados.

Haddad falou em 17 de janeiro de 2023, num painel sobre o Brasil ao lado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A mediadora perguntou como o governo pretendia engajar líderes de empresas e da sociedade civil.

Na resposta, o ministro citou compromissos de empresas com meio ambiente, igualdade de gênero, combate ao racismo, sustentabilidade e nova matriz energética. “Eu acho que é uma agenda que, até como consumidores, nós temos condição de pressionar.

No Brasil, em função do engajamento de algumas empresas com o governo extremista que foi derrotado, muita gente deixou de consumir os produtos dessas empresas”, disse. “Eu sou um que não consumo sem prestar atenção de quem eu tô adquirindo o produto.”

Depois da frase do palito de fósforo, Haddad completou: “Como é que nós podemos compactuar com empresas que não manifestam claramente o que pensam sobre essas questões?”. Quase quatro anos depois, o boicote mudou de alvo, e o PT foi às autoridades.

Segundo a jornalista Julliana Lopes, da CNN Brasil, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e outros parlamentares apresentaram à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e ao Ministério Público do Trabalho uma notícia de fato que pede uma investigação de âmbito nacional.

O documento reúne episódios em ao menos oito unidades da Federação. Os deputados querem saber se a circulação quase ao mesmo tempo e a semelhança entre as listas indicam alguma articulação, e pedem que se apure eventual participação ou financiamento de estruturas político-eleitorais.

Ainda de acordo com Julliana Lopes, o próprio documento reconhece que, até agora, não é possível atribuir a responsabilidade a uma pessoa ou grupo específico. Em Santa Catarina, a deputada federal Ana Paula Lima (PT) acionou o Ministério Público de Santa Catarina na terça-feira (27) contra as listas.

“Discordar faz parte da democracia, mas perseguir e tentar destruir a vida das pessoas, isto é crime”, afirmou. Demitir alguém por causa do voto é crime, e há precedente para as listas.

Em Cafelândia (SP), dois responsáveis por uma lista de boicote divulgada na eleição de 2022 foram condenados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em 2025, pelo crime de perseguição. Até o momento, não havia confirmação oficial sobre a abertura de investigação a partir dos novos pedidos.

Fonte: blog de Julliana Lopes, na CNN Brasil. © Jornal Razão.

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