Os orangotangos podem escolher alimentos com base em associações entre a recompensa e o estado emocional provocado por sons de outros animais. É o que indica um estudo publicado na revista científica Biology Letters nesta quarta-feira, que identificou uma preferência dos primatas por alimentos associados a gravações de risadas. A pesquisa sugere que emoções positivas podem influenciar a forma como os animais aprendem e atribuem valor às experiências. O que fazer com os corpos? Baleias mortas em costa da região da Patagônia Argentina são desafio de destinação das carcaças que chegam às praias Relatório da ONU: Mundo caminha para aquecimento de 2,6 °C ainda neste século O experimento envolveu seis orangotangos mantidos em cativeiro em duas instituições zoológicas. Os pesquisadores treinaram os animais para procurar alimentos escondidos em recipientes com diferentes materiais, como musgo e serragem. Antes de apresentar as tigelas, a equipe reproduzia gravações de orangotangos brincando e rindo ou sons ambientais, como o vento. A associação entre cada material e o tipo de som foi estabelecida ao longo de cinco dias de testes. No último dia, os pesquisadores ofereceram aos animais duas tigelas, cada uma com uma recompensa alimentar escondida sob um dos materiais utilizados anteriormente. Dessa vez, os dois recipientes continham comida, o que permitiu avaliar a preferência dos primatas. Os resultados mostraram que os orangotangos escolheram, em geral, o recipiente associado às gravações de risadas. Quatro dos seis animais demonstraram uma preferência clara por essa opção. Emoções podem influenciar a aprendizagem Uma das hipóteses dos pesquisadores é que ouvir outros orangotangos rindo tenha colocado os animais em um estado emocional mais positivo durante o aprendizado. Isso teria influenciado a maneira como associaram os materiais à recompensa e o valor que atribuíram a ela posteriormente. Erica Cartmill, professora de antropologia e ciência cognitiva da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e autora sênior do estudo, explicou que a pesquisa integra um projeto mais amplo sobre as emoções dos animais e seus efeitos sobre a cognição e a aprendizagem. A equipe buscou ampliar para outras espécies pesquisas realizadas com seres humanos, que indicam que as emoções influenciam o raciocínio e a maneira como as experiências são lembradas. — O que nosso trabalho mostra é que também importa o estado do animal quando ele aprende uma associação — afirmou Cartmill, em entrevista ao The Guardian.
Para a pesquisadora, o contexto e o estado emocional durante o aprendizado podem influenciar a forma como uma informação é lembrada e valorizada posteriormente. Resultados também podem ajudar a entender o comportamento humano Os cientistas avaliam que as descobertas podem contribuir para pesquisas sobre aprendizagem em seres humanos, inclusive em ambientes educacionais. Segundo Cartmill, uma pessoa pode aprender determinada informação independentemente de estar de bom ou mau humor, mas o estado emocional pode influenciar o valor atribuído ao conhecimento. A hipótese também pode ajudar a compreender por que experiências positivas ou negativas durante o aprendizado influenciam escolhas futuras. Um estudante que sente ansiedade ao aprender matemática, por exemplo, pode desenvolver uma relação diferente com a disciplina e, posteriormente, evitar atividades relacionadas a ela. O estudo também chama a atenção para a importância de investigar emoções positivas nos animais. Segundo os pesquisadores, a ciência frequentemente se concentra em sentimentos como medo, sofrimento e perda, enquanto experiências relacionadas à alegria, às amizades e às memórias positivas recebem menos atenção. Os resultados, no entanto, devem ser interpretados considerando o tamanho reduzido da amostra. Como o experimento envolveu apenas seis orangotangos, novas pesquisas serão necessárias para avaliar a extensão do fenômeno e verificar se o mesmo padrão aparece em outros animais e situações.
O Globo