Na sua próxima entrevista de emprego, podem perguntar não se você sabe usar IA, mas o que já fez com ela

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Currículo inteligência artificial Getty Images

À medida que as empresas avançam na adoção da inteligência artificial, saber usar o ChatGPT para escrever e-mails, resumir documentos ou tirar dúvidas deixou de ser um diferencial para virar requisito básico. Agora, o que as empresas começam a querer saber é: o que o candidato já conseguiu fazer com IA?

A ideia não é apenas verificar se o profissional conhece ferramentas como ChatGPT, Copilot, Gemini ou Claude, mas se sabe aplicá-las para resolver problemas, automatizar tarefas e melhorar processos. Contratação de temporários cresce dez vezes em uma década e chega a nível sênior

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“Eu acho que aquela pergunta de se você sabe usar o ChatGPT ou Cloud era antes. Eu acho que agora isso aí já é considerado alfabetização básica”, diz Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina.

O que passa a importar é a capacidade de relacionar o uso da tecnologia a um problema e demonstrar o resultado obtido. “Nossas métricas mostram que está aumentando muito a quantidade de vagas abertas que requerem o que a gente chama de AI literacy.

É um conhecimento de AI no sentido de que não é somente usar IA, mas é: 'eu usei IA para fazer X e consegui Y'", diz o executivo. "O que você faz com a IA? Qual problema você resolveu? Que processo você melhorou utilizando IA? Em qual tempo? Qual foi a economia desse processo? O que isso gerou? Então, acho que saber usar o ChatGPT não é mais diferencial.

O diferencial é saber o que você fez com a inteligência artificial”, afirma ele. Embora essa cobrança ainda não seja generalizada, ela já aparece em seleções para áreas que não têm tecnologia como atividade principal.

Lucas Oggiam, diretor-executivo da Michael Page Brasil, cita um exemplo de uma vaga conduzida pela consultoria para o cargo de gerente tributário. O candidato precisa demonstrar como trabalhou com projetos tributários que envolvem IA e automação.

Em outra seleção, para uma posição de gestão de vendas, a empresa procurava alguém que conseguisse mostrar como utilizou essas ferramentas de IA para melhorar a produtividade da equipe. “Hoje a gente já vê avançando exatamente esse tipo de pergunta para áreas que não são tecnologia como core”, afirma Oggiam.

Como se destacar no uso da IA A curiosidade e a disposição para experimentar podem ser um primeiro passo para que os profissionais comecem a entender as ferramentas.

Oggiam destaca que parte dos profissionais aprende a utilizar essas ferramentas por iniciativa própria, explorando suas possibilidades no dia a dia. “Primeiro, curiosidade e, segundo, capacidade de aprender”, diz.

A ideia é ir aos poucos buscando aplicações mais relacionadas à própria área de atuação. Ferramentas como ChatGPT, Copilot e Gemini podem ajudar em atividades cotidianas, sim, mas o desafio é ir além e identificar como a tecnologia pode melhorar um processo de trabalho.

A importância da experiência prática também aparece em uma pesquisa da Pearson e da AWS com empregadores brasileiros. Entre os entrevistados, 42% apontaram a falta de experiência com ferramentas de IA no trabalho como uma barreira na contratação de recém-formados.

Outros 44% disseram priorizar a capacidade de utilizar essas ferramentas, enquanto a mesma proporção destacou a compreensão de seus riscos e limitações. Essa experimentação, porém, precisa respeitar as regras da empresa.

Antes de inserir documentos ou informações profissionais em um chatbot, é importante verificar quais ferramentas são autorizadas e quais dados podem ser compartilhados. O uso de IA não deve expor informações confidenciais ou contrariar as políticas de segurança da organização.

Para Beck, a capacidade de usar IA é apenas uma parte do conjunto de competências que os profissionais precisarão desenvolver. Ele propõe pensar em um triângulo com três pilares: conhecimento da própria profissão, aprendizado contínuo e domínio das ferramentas de inteligência artificial.

No primeiro pilar, é um contador que sabe contabilidade, um engenheiro que sabe engenharia, um médico que sabe medicina, exemplifica. No segundo, o profissional também precisa estar disposto a aprender constantemente, já que as ferramentas e suas aplicações evoluem rapidamente.

O terceiro ponto é saber usar a IA para ampliar e alavancar a própria capacidade de trabalho. No centro desse triângulo, Beck coloca as habilidades humanas, como comunicação, capacidade de argumentação, relacionamento interpessoal e disposição para dar e receber feedback.

Pensamento crítico, criatividade e empatia também ganham importância quando parte das tarefas repetitivas passa a ser automatizada. A combinação, portanto, não é substituir o conhecimento profissional pela tecnologia, mas usar a IA para ampliar o que cada pessoa é capaz de entregar.

Empresas estão em estágios diferentes na adoção da IA Vale notar também que a velocidade dessa transformação da IA também varia de acordo com a empresa.

Tanto Beck quanto Oggiam ressaltam que não é possível falar da adoção de inteligência artificial no Brasil como se todas as organizações estivessem no mesmo estágio. “Brasil é muito grande e muito complexo”, afirma Beck.

Segundo ele, há empresas que ainda estão começando a se digitalizar, enquanto outras já desenvolvem projetos de IA bastante avançados. Nas grandes companhias, especialmente de setores como cosméticos, finanças e saúde, por exemplo, o executivo diz encontrar iniciativas com IA em diferentes áreas.

Já nas pequenas empresas, a implementação tende a ser menos estruturada e pode depender mais da disposição do próprio dono para investir e experimentar a tecnologia. Nesse cenário, a capacidade de buscar conhecimento e experimentar por conta própria ganha importância.

Mas a iniciativa individual não substitui o papel das empresas, que precisam oferecer orientação, ferramentas adequadas e treinamento para que os funcionários consigam incorporar a IA ao trabalho com segurança. Mais Lidas

Publicação Original Epoca Negócios epocanegocios.globo.com
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