O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que a eleição presidencial brasileira, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) “pareceu mais uma eleição fraudada”, mas disse gostar do petista. A fala vai na contramão de líderes da América Latina, inclusive aliados de Trump, como o chileno José Antonio Kast, a peruana Keiko Fujimori e o colombiano Abelardo de la Espriella, que parabenizaram Lula pela reeleição.
— Parecia outra eleição fraudada, francamente. Eu não tomei partido, mas foi uma péssima imagem para o mundo.
As eleições precisam ser indiscutíveis, e, para mim, pareceu muito ruim — disse Trump a jornalistas ao deixar Washington com destino a um comício de campanha para as eleições legislativas de meio de mandato. — Gosto do Lula, me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha.
Trump — que foi um dos primeiros líderes a parabenizarem Lula pela eleição em 2022 — havia evitado se posicionar durante a campanha. No domingo, enquanto os brasileiros votavam, limitou-se a dizer que acompanhava a eleição, sem declarar apoio ao filho de seu aliado Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Antes, porém, o presidente americano havia usado tarifas e sanções para tentar evitar a prisão do ex-presidente. Flávio, por sua vez, fez campanha exaltando a proximidade com a Casa Branca e defendeu acordos com Washington, inclusive na exploração de minerais raros, e prometeu aderir ao Escudo das Américas, a aliança de segurança e combate às drogas promovida pelo governo Trump.
Enquanto isso, líderes de diferentes campos políticos reconheceram a vitória. Kast disse ter conversado com Lula e afirmou que Chile e Brasil “têm muito futuro em comum”.
Keiko Fujimori saudou a “jornada democrática” e defendeu fortalecer a “aliança estratégica” entre os dois países. Também parabenizaram o petista os presidentes do Paraguai, Santiago Peña, da Bolívia, Rodrigo Paz, e do Panamá, José Raúl Mulino, além da mexicana Claudia Sheinbaum e do uruguaio Yamandú Orsi.
O colombiano Abelardo de la Espriella, que declarou apoio ao senador na campanha, reconheceu a vitória de Lula e comparou a eleição brasileira à disputa colombiana, na qual o petista havia apoiado seu adversário, Iván Cepeda. O equatoriano Daniel Noboa também parabenizou o petista e afirmou que a região tem “inimigos em comum”.
Fora da América Latina, Lula foi parabenizado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para quem “a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”, pelo presidente francês, Emmanuel Macron, pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pelo canadense Mark Carney, pelo premier indiano, Narendra Modi, pelo ucraniano Volodymyr Zelensky e pelo russo Vladimir Putin.
A China também enviou felicitações, por meio do Ministério das Relações Exteriores. A imprensa internacional tratou a reeleição de Lula como um freio à guinada à direita na América Latina e um revés para Trump.
A vitória do petista interrompeu uma sequência de sete vitórias seguidas de candidatos de direita em eleições presidenciais na região nos últimos 18 meses e manteve o Brasil, ao lado do México, entre os principais governos progressistas do continente.
O Globo