Milhares de pessoas participaram de uma manifestação no centro de Madri, Espanha, neste sábado (24), para defender as aposentadorias públicas, a um mês das eleições legislativas. Grupos de esquerda acusam a direita de tentar promover uma privatização parcial do sistema previdenciário.
A marcha, que ocorreu sem incidentes, percorreu cerca de dois quilômetros entre a estação de Atocha e a rua Alcalá, passando em frente ao Museu do Prado e pela Praça de Cibeles, conforme observado por um jornalista da AFP. As faixas exibidas pelos aproximadamente 25 mil manifestantes, segundo estimativa da Delegação do Governo em Madri, traziam frases como “Aposentadorias asseguradas” e “Proteger as aposentadorias”.
O funcionário público Juan Fernández, de 38 anos, expressou sua incerteza sobre o futuro da sua aposentadoria e manifestou sua oposição a qualquer reforma que possa abrir caminho para a privatização, destacando que isso poderia resultar em ganhos ou perdas. Pilar, pré-aposentada de 64 anos, afirmou que as aposentadorias públicas não devem ser alteradas e lamentou a tendência atual de privatização.
Ela também destacou a mobilização dos jovens em defesa dos serviços públicos, como educação e saúde, especialmente em relação ao tema da moradia. Na segunda-feira, o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, garantiu que o Partido Popular, caso vença as eleições legislativas antecipadas agendadas para 29 de novembro, irá ajustar as aposentadorias conforme previsto na lei.
Essa declaração foi uma resposta às críticas do governo socialista liderado por Pedro Sánchez, que acusa o PP de querer modificar o sistema previdenciário, questionando o mecanismo atual de indexação das prestações à inflação, vigente desde janeiro de 2022. Em 2021, o Partido Popular votou contra o projeto de lei que instituiu essa indexação, alegando que ele representava um impacto financeiro excessivo para o governo.
Na Espanha, em setembro, a média das pensões de aposentadoria alcançou 1.576 euros mensais, valor próximo a 9.000 reais, beneficiando cerca de 6,8 milhões de pessoas, conforme dados do Ministério da Seguridade Social.
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