Foto por PHILIPPE LOPEZ / AFP Neste sábado, 24, a França registrou uma nova jornada de protestos nacionais motivada pelo aumento do custo de vida, pela escassez de recursos na educação e pela defesa dos serviços públicos.
Em Paris e em diversas cidades do país, o governo francês implantou um rigoroso esquema de segurança com o envio de 70 mil policiais, enquanto museus emblemáticos fecharam as portas e comerciantes protegeram suas vitrines para evitar episódios de violência e saques. O movimento, iniciado no mês anterior após uma paralisação contra a falta de funcionários em uma escola a sudeste da capital, expandiu-se para uma onda de insatisfação geral que reúne estudantes, centrais sindicais e ex-integrantes dos “Coletes Amarelos”.
Entre as principais pautas estudantis estão a abertura de 250 mil vagas no ensino superior, o fim do sistema de seleção Parcoursup, o acréscimo de 200 euros mensais em bolsas de estudo e o congelamento de aluguéis em moradias universitárias públicas. Trabalhadores e sindicatos demandam reajustes salariais e a garantia de aposentadorias.
Diante do risco de repetirem-se os distúrbios do fim de semana anterior — quando cerca de 3 mil estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados —, o Ministério do Interior mobilizou blindados, helicópteros e jatos de água. Na capital, a Polícia alterou o trajeto do ato principal para a periferia sudeste, desviando a marcha do centro e estipulando multas de 135 euros para quem descumprisse proibições de acesso.
Locais de grande circulação turística e cultural, como o Museu do Louvre, o Museu d’Orsay, o Museu Picasso e o Grand Palais, não abriram no sábado, e a feira de arte internacional Art Basel cancelou suas atividades de fim de semana. Continua após a publicidade
Enquanto comerciantes cobriam vitrines perto de estações ferroviárias, a apreensão era visível. Akram Ahmed, um empreiteiro de 34 anos que instalava tapumes em uma ótica perto da estação Saint-Lazare, relatou: “Recebi a ligação ontem à noite.
O proprietário parecia desesperado. Ele disse que eu estava salvando a vida dele”.
Por outro lado, manifestantes apontaram a concentração de renda como motor das marchas. Victoria Ambrosini, professora e crítica de arte na Universidade de Saint-Denis, afirmou: “O dinheiro agora está concentrado nas mãos de pouquíssimas pessoas”.
Confrontos isolados com uso de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral ocorreram em cidades como Lyon, Bordeaux e Clermont-Ferrand. Houve forte divergência quanto à adesão do público: o Ministério do Interior contabilizou 410 mil manifestantes em todo o país (sendo 110 mil em Paris), apontando ligeiro recuo em relação aos 550 mil da semana anterior.
Já a central sindical CGT estimou a participação em 800 mil pessoas nacionalmente, das quais 250 mil marcharam na capital. Continua após a publicidade
O acirramento das manifestações ocorre na reta final do mandato do presidente Emmanuel Macron, em um momento em que sua aprovação atinge os níveis mais baixos desde 2017. Embora Macron tenha se reunido com representantes estudantis no dia anterior e prometido reformular as admissões universitárias, lideranças do movimento declararam que os protestos prosseguirão até que medidas concretas para o poder de compra e o financiamento educacional sejam oficialmente adotadas.
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