Acusado é apontado como responsável pela morte da ex-companheira, que havia acionado o botão do pânico; feminicídio aconteceu em Ipira, no Meio-Oeste catarinense Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
O homem que confessou ter matado a ex-companheira na Linha Capelinha, em Ipira, no Meio-Oeste de Santa Catarina, foi denunciado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) por feminicídio. O crime aconteceu em 20 de outubro, após o fim de um relacionamento de 16 anos.
Agora, a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Capinzal busca levar o acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri, no qual será julgado por jurados da própria comunidade. Conforme a denúncia, antes do assassinato, o homem teria enviado mensagens ameaçadoras à ex-companheira, demonstrando inconformismo com o fim da relação.
Em uma delas, teria afirmado que, se ela não voltasse com ele, não ficaria com mais ninguém. Com medo de sofrer algum tipo de violência, a mulher procurou ajuda, registrou um boletim de ocorrência e solicitou medidas protetivas de urgência.
Apesar da determinação judicial, segundo o MPSC, o acusado teria ido até a residência da vítima e cometido o feminicídio. Durante o episódio, a mulher chegou a acionar o botão do pânico, mas foi encontrada morta pela polícia dentro de um riacho.
Horas depois, o homem se apresentou espontaneamente à delegacia de Presidente Castelo Branco, município vizinho, confessou o crime e acabou preso preventivamente. Ele permanece detido.
Na denúncia, o Ministério Público destaca três circunstâncias que podem aumentar a pena em caso de condenação. Uma delas é o fato de a vítima ser mãe de duas crianças: um menino de oito anos e um adolescente de 13 anos.
As outras duas são o descumprimento das medidas protetivas de urgência concedidas pela Justiça e o motivo torpe, apontado pelo órgão como o inconformismo do acusado com o término do relacionamento. O promotor de Justiça Felipe Neiva classificou o caso como de extrema gravidade e ressaltou que a vítima havia buscado proteção antes de ser assassinada.
“A vítima havia procurado ajuda, registrado as ameaças e obtido medidas protetivas de urgência, mas, ainda assim, teve a vida interrompida de forma brutal e covarde”, afirmou. Além do caso de Ipira, o MPSC chama atenção para os desafios de prevenir a violência contra mulheres que vivem em áreas rurais e municípios de pequeno porte.
Nessas localidades, o acesso à rede de proteção pode ser mais limitado. O Mapa do Feminicídio, elaborado pelo Ministério Público, aponta que o risco proporcional de ocorrência desse tipo de crime é maior em municípios com baixa densidade demográfica.
O levantamento também revela que 71% dos feminicídios foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Em 68,9% dos casos, havia histórico prévio de violência.
Os indicadores reforçam a importância de reconhecer os sinais de risco e garantir que as mulheres tenham acesso a mecanismos efetivos de prevenção, acolhimento e proteção. O levantamento completo pode ser consultado no site do MPSC.
A denúncia é fundamental para interromper situações de violência, buscar proteção e evitar novas agressões. Mulheres em situação de risco ou pessoas que presenciem ou tenham conhecimento de casos podem procurar os seguintes canais:
Kethelyn Petter é repórter do ND Mais em Chapecó e integra a equipe da redação local do portal, acompanhando o que acontece diariamente no Oeste de Santa Catarina e abastecendo o leitor com os principais fatos que movimentam a região. Escreve notícias sobre segurança, cidadania e infraestrutura, trazendo os principais fatos de cidades como Chapecó, São Miguel do Oeste, Xanxerê e Concórdia.
Com atuação no Jornalismo desde 2023, é formada pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e já cobriu eventos tradicionais, trabalhou com jornalismo digital e fez reportagens especiais para o caderno de esporte no jornalismo impresso. Leia mais ▾
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