Organizações de estudantes e secundaristas convocaram para esta terça-feira (3) uma nova rodada de bloqueios em universidades e escolas de ensino médio em toda a França. A mobilização ocorre após mais de um mês de protestos e busca manter a pressão sobre o governo, além de ampliar a participação na grande jornada de greves e manifestações marcada para quinta-feira, quando trabalhadores do setor público, da iniciativa privada e aposentados também devem ir às ruas.
A principal reivindicação continua sendo uma reforma profunda do sistema educacional francês, especialmente da plataforma Parcoursup, utilizada para o acesso ao ensino superior e alvo de críticas há anos por parte dos estudantes. Na volta das férias escolares, o governo registrou problemas em cerca de 15% das instituições de ensino superior.
Também houve bloqueios e manifestações nos liceus, equivalentes ao ensino médio brasileiro. As lideranças estudantis apostam que a adesão dos sindicatos de trabalhadores dará uma nova dimensão ao movimento, reunindo, pela primeira vez desde o início do semestre, estudantes, professores, servidores públicos e trabalhadores de diferentes setores em um mesmo protesto.
Apesar das medidas anunciadas pelo presidente Emmanuel Macron na semana passada, as entidades estudantis afirmam que elas não são suficientes para encerrar a mobilização. O governo prometeu substituir gradualmente o atual sistema de acesso à universidade até 2028, suspender cortes previstos para a educação, criar 500 novas vagas para profissionais do setor, reduzir o número de alunos por turma e abrir 15 mil vagas adicionais no ensino superior.
Os estudantes consideram essas medidas apenas um primeiro passo. As principais organizações juvenis defendem investimentos de 10 bilhões de euros na educação e pedem até mesmo a extinção completa da plataforma Parcoursup.
Outro foco de tensão é a organização da manifestação de quinta-feira em Paris. O trajeto do ato ainda não recebeu aprovação oficial.
Após episódios de violência registrados em outubro, as autoridades francesas passaram a impor restrições aos percursos dos protestos na capital. Nesta semana, um ato estudantil previsto para o centro de Paris foi vetado pela polícia, que sugeriu um percurso alternativo na periferia.
Os organizadores pretendem contestar a decisão na Justiça.
CBN