O Grupo Moura, conhecido por sua atuação com baterias automotivas, investirá R$ 200 milhões na ampliação de sua capacidade de produção no complexo fabril de Belo Jardim, no agreste pernambucano. A iniciativa visa implantar uma linha de fabricação para baterias de grande porte, conhecidas pelo jargão “utility scale”, e mira o leilão marcado pelo governo federal para dezembro deste ano.
“A gente está se preparando tanto em nível de espaço físico quanto de equipamentos. A linha de produção já foi, inclusive, comprada”, afirmou ao Valor o diretor de operações de lítio da Moura, Spartacus Pedrosa.
Segundo o executivo, a iniciativa gerará entre 150 a 200 empregos diretos. A intenção é dar conta da demanda que virá com o certame, que prevê a incorporação de baterias no Sistema Interligado Nacional (SIN), com operação em agosto de 2028.
O prazo, para Pedrosa, é desafiador e, por isso, a companhia tomou a decisão de realizar os aportes ainda que a iniciativa seja inédita e objeto de algumas incertezas regulatórias. “A gente está nesse negócio há mais de 10 anos, fomos a primeira empresa a fornecer um sistema 100% nacional para aplicação no Brasil.
Então, esse é o contínuo dessa história. Estava muito nítida a necessidade de haver leilão há alguns anos por conta do avanço das energias intermitentes na rede”, afirmou.
O executivo avaliou, no entanto, que essa frente de negócio não depende apenas do leilão e disse que a companhia conta com 40 sistemas de armazenamento de maior porte já instalados em clientes industriais e do agronegócio, por exemplo. Outra possível frente de atuação é a de data centers, lembrou.
“A vantagem do leilão é que ele traz uma escala que até então se não via. Esse será um legado importante para outros negócios: com o volume, teremos acesso a melhores custos, escala para que se consiga, do ponto de vista industrial, reduzir o preço final para o cliente”, apontou.
A companhia também está apostando numa agenda de continuidade de leilões para a tecnologia, completou. Para Pedrosa, porém, as baterias para veículos continuarão sendo o carro-chefe da companhia, mas a ideia é que os sistemas de grande porte ganhem tração com o certame.
A expansão conta com parceria da Contemporary Amperex Technology Limited (CATL), fabricante chinesa de baterias, que fornecerá os módulos. A partir deles, a Moura atua como integradora, incorporando componentes como inversores, transformadores, além da parte de eletrônica embarcada.
Segundo o Grupo Moura, que faturou R$ 5 bilhões no ano passado, o financiamento combina recursos próprios e de instituições como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Nordeste (BNB) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Ainda para participar do leilão, a Moura credenciou-se junto ao BNDES como fornecedora de sistemas de armazenamento de baterias junto a outras oito companhias e figura ainda na lista de fornecedora de desenvolvimento de projeto de software/firmware (EMS, na sigla em inglês) junto a outras duas concorrentes.
O certame está marcado para os dias 2 e 4 de dezembro deste ano.
Valor