Motta se reúne com PSD, e líder anuncia apoio à recondução do presidente da Câmara

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta(Republicanos-PB), se reuniu nesta terça-feira com a bancada do PSD em busca de apoio do partido para sua recondução à frente da Casa. As negociações para sua reeleição, em votação que ocorrerá em fevereiro, foram intensificadas após o resultado do primeiro turno das eleições provocar um aumento da bancada do PL, partido que já indicou a intenção de lançar uma candidatura de oposição ao cargo.

Durante o encontro, o líder do PSD na Câmara, Antonio Brito (BA), anunciou que não será candidato ao comando de Casa e disse que vai apoiar Motta. Apesar disso, Brito fez uma ressalva que o resto da bancada do PSD ainda vai tomar uma decisão. – O meu voto pessoal vai ser seu. Agora o de cada um vai ter que ser construído. Motta tem apostado nas conversas com partidos e também na busca dos deputados individualmente, fazendo gestos aos novatos que assumirão uma cadeira no ano que vem.

Sem citar o PL, o presidente da Câmara declarou que é preciso construir um bloco de apoio com partidos de centro antes de "procurar os polos". – Com esse bloco estabelecido, vamos debater aquilo que interessa ao PSD, que interessa aos demais partidos e aquilo que é o sentimento comum de unidade desses partidos para que com a nossa casa resolvida, nossa casa leia-se o centro-político, e a gente possa depois partir para dialogar com os polos e entender o que administrativamente dá para se construir em favor do país. Aliados de Motta falavam nos bastidores que era preciso monitorar os movimentos do PSD, já que o líder da bancada era considerado um candidato competitivo para fazer frente ao atual chefe da Câmara. Brito é aliado do PT na Bahia e transita bem nas bancadas da esquerda, além de não enfrentar resistências do PL. Nesta terça-feira, Brito declarou apoio pessoal dele para a reeleição de Motta, pavimentando o caminho para que sua sigla não tenha candidatura própria.

O partido de Gilberto Kassab saiu das urnas com 43 deputados eleitos (hoje, são 48 parlamentares), tornando-se a quarta maior bancada da Casa. O apoio da sigla daria a Motta fôlego num momento em que ele é pressionado pela oposição diante do crescimento expressivo da bancada do PL (que terá 121 deputados).

Além disso, o endosso do PSD abre caminho para que o bloco que dá sustentação e governabilidade a Motta hoje se mantenha no próximo ano, facilitando a sua recondução. O bloco reúne atualmente 271 parlamentares dos partidos: União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos. Pelo resultado das urnas, o bloco terá, a partir do ano que vem, 245 deputados que, em tese, caminhariam com Motta. Para ser eleito, são necessários votos de metade dos 513 votantes, em escrutínio secreto.

Aliados de Motta defendem que o deputado consolide os apoios desde já, evitando que sua candidatura desidrate em caso de eleição de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. O deputado foi eleito presidente da Câmara em 2024 com apoio majoritário dos partidos, do PT de Luiz Inácio Lula da Silva ao PL de Bolsonaro, e teve de se equilibrar entre as demandas das siglas no primeiro ano chefiando a Casa. Neste ano, no entanto, ele fez mais gestos ao petista, buscando apoio para eleger seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), a uma vaga ao Senado pela Paraíba — Lula não endossou publicamente a candidatura do ex-prefeito e foi derrotado nas eleições.

O presidente da Câmara declarou apoio público à eleição do presidente, participou de atos eleitorais a favor do petista em seu estado e posou para fotos usando boné com o nome de Lula e fazendo o “L” com os dedos. Essa proximidade de Motta contrariou bolsonaristas, que reforçaram a intenção de lançar uma candidatura própria para derrotar o deputado. Nos bastidores, são lembrados os nomes do líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (RJ), e do primeiro-vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (RJ).

Uma liderança do PL diz que o partido considera não ter nome na disputa na Câmara se conseguir apoio dos partidos de centro para eleger um senador da sigla na presidência do Senado. O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, levou à mesa de negociações com o PL para apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno o endosso à reeleição de Motta. Mas não houve acordo nesse ponto.

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