A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai focar na mudança de postura do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1. Nesta tarde, o presidenciável recuou e se declarou a favor da medida à qual, antes, o partido se dizia contrário. Leia mais
O PT deverá tratar a mudança como "hipocrisia" de Flávio em busca de votos. Em reserva, petistas e articuladores da campanha dizem que a mudança em meio à discussão no Senado pode sair como um "tiro no pé" para o parlamentar, que era favorável a uma outra PEC, de autoria do senador Rogério Marinho (PL), coordenador de sua campanha ao Planalto, que previa, entre outros pontos, remuneração proporcional por hora trabalhada. Flávio voltou a defender que trabalhadores e empregadores tenham liberdade para negociar a jornada de trabalho.
A proposta de Flávio, dita em campanha, tem sido usada como estratégia petista para pintar o adversário como contrário aos direitos trabalhistas. Na avaliação petista, o movimento de Flávio é visto como tardio, dado que não conseguirá colocá-lo no centro do debate, já ocupado pela esquerda, nem agradar a membros do mercado que o apoiam.
Por isso, dizem, não esperam ter dificuldade em pintar a mudança como "oportunista". Este mote já está sendo tratado nas redes sociais petistas. "Se o Lula virou o voto do Flávio, você também pode!", diz uma montagem que leva uma manchete que relata a mudança do senador.
"Nosso adversário mudou de voto, né? Resolveu agora aprovar a escala 6 por 1", afirmou o senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha de Lula, à imprensa nesta tarde. "E a gente espera que amanhã a gente aprove, no plenário do Senado Federal."
Petistas também aguardam a decisão final do bolsonarista sobre o debate da Band, marcado para o próximo domingo (18). Os dois tinham confirmado presença, mas petistas dizem que o programa pode não ocorrer por uma possível desistência de Flávio. O bolsonarista disse há pouco que não irá ao debate.
Nenhum dos dois foi a debates no primeiro turno, o que gerou críticas dos dois lados. Agora, Lula diz que quer debater no "tête-à-tête" com o adversário. Se Flávio realmente confirmar que não vai, o campanha deverá se aproveitar para lançar uma campanha dizendo que ele "arregou" e "ficou com medo" do presidente.
Ambas as pautas poderão também ser tema do canal de WhatsApp "Exército do Lula", criado pelo deputado reeleito André Janones (Rede-MG). A iniciativa tem sido alvo de uma disputa judicial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas se tornou uma das principais apostas de comunicação da campanha para a segunda etapa, com mais de 4,3 milhões de seguidores até a tarde desta terça.
Reunião de apoiadores
Essas e outras estratégias estão sendo debatidas na tarde desta terça-feira (13) com presidentes e lideranças de partidos que apoiam Lula. Convocado pelo presidente petista e coordenador da candidatura, Edinho Silva, o encontro pretende traçar estratégias de crescimento no segundo turno e mostrar a força ao redor do presidente, em meio às movimentações de apoio a Flávio.
Além de membros da chapa, como lideranças do PSB, PCdoB e PSOL, participam da reunião lideranças do centrão, em maioria ex-ministros de Lula, de partidos que declararam apoio a Flávio. Chegaram juntos o senador eleito André Fufuca (PP-MA) e o deputado reeleito Silvio Costa Filho (Republicanos-PE). O deputado reeleito Juscelino Filho (PSDB-MA), cujo partido declarou neutralidade, também participou.
A parte "lulista" do MDB também participa. Oficialmente neutro desde o primeiro turno, o partido passa por mais uma disputa interna entre diretórios sobre os apoios para esta etapa. Nesta tarde, dez diretórios estaduais declararam apoio a Lula e dezessete a Flávio. Na reunião, representam o partido os senadores emedebistas Eduardo Braga (AM), Jader Barbalho (PA), Marcelo Castro (PI), Renan Filho (AL) e Veneziano do Rêgo (PB) e o senador eleito Helder Barbalho (PA).
Valor