Flávio diz que 'El Salvador é pouco' e promete 'meio milhão de vagas em presídio' e castração química para abusadores

Flávio diz que 'El Salvador é pouco' e promete 'meio milhão de vagas em presídio' e castração química para abusadores - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência do PL, afirmou durante um evento em São Paulo, nesta quarta-feira (13), que "El Salvador é pouco" se comparado ao modelo de segurança pública que ele pretende implementar se eleito. Flávio se referia às medidas linha-dura de Nayib Bukele no país, que têm servido de inspiração para candidaturas de direita no Brasil.

— Já tenho trocado umas ideias com o (senador eleito Guilherme) Derrite, porque eu estou achando que El Salvador é pouco. Vou fazer mais de meio milhão de vagas em presídios para prender estuprador. E abusador de mulher e criança vai sofrer castração química e vai ficar preso muito mais tempo. Ladrão de celular, a gente vai mudar a lei no Congresso, vai ser no mínimo oito anos de cadeia. Vai ficar preso e vai ser obrigado a trabalhar para dar valor a como é difícil comprar um celular — disse o candidato. O evento era organizado pela Confederação das Associações Comerciais do Brasil, a Federação das Associações Comerciais de São Paulo e a Associação Comercial de São Paulo, entre outras entidades do setor. Durante a campanha, Flávio citou várias vezes o país como inspiração para a segurança pública — em agosto, ele se reuniu com ministro da Justiça de El Salvador. Desde 2022, Bukele mantém um regime de exceção que ampliou os poderes das forças de segurança e permitiu prisões sem ordem judicial. O governo atribui a essa estratégia uma forte redução dos homicídios no país, mas a política é alvo de denúncias de detenções arbitrárias, tortura, execuções de detentos e perseguição a ativistas e jornalistas. Depois do evento, Flávio seguiu com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP) para a avenida Paulista, onde a prefeitura instalou recentemente um ponto de apoio para entregadores de moto — público que Lula tentou agradar nesta terça-feira ao anunciar um pacote econômico para micro-empreendedores individuais.

Flávio em ponto de apoio para motoboys, na avenida Paulista, nesta terça-feira (13) Sérgio Quintella / O GLOBO No local, ele tirou fotos com apoiadores, vestiu um colete da categoria e simulou entregar uma pizza. Apoios do MDB Mais cedo, também em SP, Flávio recebeu o apoio formal de 16 dos 27 diretórios regionais do MDB. A sigla havia declarado neutralidade no primeiro turno, mesmo tendo ocupado três ministérios no governo Lula (PT), e agora adere de forma parcial ao candidato que lidera as pesquisas a 12 dias da nova votação. O apoio majoritário foi costurado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). Em alguns desses estados, como São Paulo, Flávio já tinha apoio desde o início da campanha, mas outros, como Goiás e Rio Grande do Sul, embarcaram agora, com a derrota de Ronaldo Caiado (PSD) ao cargo. Os diretórios que apoiam Flávio estão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Distrito Federal, Goiás, Amapá, Acre, Tocantins, Roraima, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Havia expectativa antes do anúncio que o número chegasse a 17, mas Sergipe permanece neutro, com prefeitos em lados opostos. Mais cedo, uma ala do MDB ligada a Lula, num total de 10 diretórios, reagiu ao evento divulgando uma carta de apoio à reeleição do petista. Os estados são todos da região Norte, como Pará e Amazonas, e Nordeste, a exemplo de Bahia, Alagoas e Ceará. O texto diz que esse apoio se dá em defesa “da liberdade, da democracia e da soberania do povo brasileiro” e pela manutenção de políticas sociais.

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