Intervenção na Vila de São Miguel, em Biguaçu, prevê iluminação cênica, acessibilidade e a volta da água fluindo por entre seus seculares arcos de pedra Depois de 60 anos sofrendo com a deterioração e impactos do tráfego, o Aqueduto da Vila de São Miguel, em Biguaçu, na Grande Florianópolis, que já existe há 200 anos, passará por obras de restauração.
A intervenção promete devolver ao monumento histórico uma de suas funções originais: conduzir água por entre seus seculares arcos de pedra. A obra conta com investimento de R$ 469,5 mil e prazo de execução estimado em 10 meses.
O projeto prevê adequações de acessibilidade, instalação de sinalização interpretativa e iluminação cênica, tudo respeitando as diretrizes de preservação do patrimônio histórico. Os recursos são oriundos do orçamento municipal e de duas emendas parlamentares.
“A obra contempla a recuperação da estrutura e melhorias no entorno, com o objetivo de valorizar o patrimônio e ampliar as possibilidades de visitação”, destaca o prefeito de Biguaçu, Alexandre Martins de Souza (Podemos). A intervenção teve início após determinação da Justiça Federal, em março deste ano, a partir de ação do MPF (Ministério Público Federal).
O órgão apontou que a estrutura vinha sofrendo danos severos causados por colisão de veículos de grande porte em mais de uma ocasião, além do desgaste natural com áreas deterioradas e partes expostas. Tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1969, o aqueduto tem cerca de 200 anos e faz parte do conjunto arquitetônico da Vila de São Miguel, fundada em 1750.
Construído no século 19, o sistema transportava água da cachoeira local até a antiga praia da vila, abastecendo moradores, movimentando engenhos e servindo de ponto de reabastecimento para embarcações que ancoravam na Baía de Anhatomirim antes de seguir rumo ao Sul do país. A Vila de São Miguel carrega um peso histórico único para Santa Catarina.
Em 1777, durante a invasão espanhola à Ilha de Santa Catarina, autoridades portuguesas deixaram Desterro (atual Florianópolis) e se refugiaram na localidade, tornando o povoado temporariamente a capital da província. O avanço urbano e a construção da rodovia BR-101, na década de 1960, alteraram drasticamente o cenário da região.
A obra rodoviária levou à demolição de grande parte da estrutura original. Dos diversos arcos de pedra que cruzavam o espaço, apenas quatro resistiram ao tempo e à expansão urbana.
Com o projeto de restauração, a prefeitura e os órgãos de proteção buscam resgatar a dignidade do patrimônio, recuperar a memória preservada no monumento e transformar o local em um ponto turístico estruturado e educativo para a Grande Florianópolis. Luana Pfleger é jornalista em formação e escreve para o ND Mais, integrando o Núcleo de Santa Catarina na redação de Florianópolis.
Produz textos focados na cobertura de notícias da região da Grande Florianópolis e cidades vizinhas, como São José, Palhoça e Biguaçu. Curiosa e conectada aos acontecimentos da região, acompanha temas de interesse público, cotidiano e tudo que impacta o morador de Santa Catarina.
Trabalha com comunicação desde 2022 e cursa Jornalismo na Estácio de São José. Possui experiência em assessoria de comunicação pública e acompanhou de perto eventos como o Summit Cidades e o Comac (Congresso de Municípios, Associações e Consórcios), com cobertura voltada à gestão pública e ao desenvolvimento regional.
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