Modelo Marcelle Bittar relembra tensão de viver o 11 de setembro em NY: 'Me dá arrepios falar'

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Fonte da notícia: Revista Quem Revista Quem

Marcelle Bittar relembrou a experiência de viver o atentado de 11 de setembro em Nova York, que completou 25 anos nesta sexta-feira. A tragédia aconteceu durante a Semana de Moda e, no auge da carreira, a top model estava entre compromissos. "A cidade estava supermovimentada. Estava todo mundo indo para cima e para baixo, fazendo prova de roupa, indo para desfile, pegando metrô, indo e voltando", contou. Em um vídeo postado no TikTok, a modelo, de 44 anos, relatou o desespero vivido nos dias seguintes, desde a ida ao apartamento de amigas para pegar o passaporte delas, até o primeiro voo que pegou, para Milão. "Eu tentava falar com a minha família, mas os telefones não estavam funcionando. Era um caos, um desespero", fala. Marcelle Bittar relembra experiência de viver o 11 de setembro em NY Leia o relato: "No dia 10, teve um desfile do Marc Jacobs. Foi um desfile lindo, enorme, e logo depois teve uma festa, também incrível. Como eu não tinha que acordar muito cedo, decidi ficar um pouquinho na festa. Lembro que estava vivendo um momento muito feliz da minha vida, por isso me lembro com riqueza de detalhes, de sensações, de sentimentos, porque eu estava realmente muito feliz. Profissionalmente, estava no auge da minha carreira. Estava lotada de desfiles, todos os mais importantes -- ia abrir vários, inclusive. Estava muito feliz. Aí eu peguei um táxi para ir embora. Tinha esse menino que eu achava o máximo, e ele pediu para dividir o táxi comigo. Falei: 'Nossa Senhora, é para fechar a noite perfeita. Incrível'. Peguei o táxi com ele, fiquei batendo um papo, ele me deixou em casa e foi para a casa dele. Lembro que fui dormir com um sorriso no rosto, satisfeitíssima com tudo. Marcelle Bittar em desfile de Marc Jacobs, no dia 10 de setembro de 2001 Reprodução/ Instagram No dia 11, logo cedo, o telefone começou a tocar desesperadamente, era meu agente estava gritando: 'É guerra, é guerra!'; e eu só falava: 'Mas o que está acontecendo?'. Quando liguei a televisão, fiquei sentada, em choque. Lembro também que o céu, nesse dia, estava azul. Estava um dia lindo, não tinha uma nuvem no céu. Quando eu vi o primeiro avião, a fumaça, as cinzas, o contraste do céu azul com aquelas cinzas, com aquela fumaça... Lembro muito disso. Foi muito impactante, assistindo tudo ao vivo. Eu morava com a Carol Bittencourt e tentava falar com ela, preocupada porque ela tinha saído. Não lembro bem a ordem cronológica, porque foi muita coisa e estava tudo meio confuso. Mas lembro que a Carol voltou para casa e o segundo avião veio. Aí o desespero que já existia ficou ainda maior. Você pensa em tudo que pode acontecer. Eu tentava falar com a minha família, mas os telefones não estavam funcionando. Era um caos, um desespero. Algumas meninas, a Mariana Weickert e a Luciana Curtis, a gente não conseguiu contatar. Elas não estavam desaparecidas, mas estavam sem contato, e a gente ficou muito preocupada porque elas moravam bem próximo dali [do World Trade Center]... Resumindo, conseguimos falar com todas elas. Estava todo mundo bem, e todo mundo se reuniu na nossa casa, no meu apartamento com a Carol. A gente tinha medo de tudo: do céu, de vir um míssil, não sei. Como eram apartamentos em andar alto, a gente tinha medo de que um avião entrasse lá também. Queríamos ficar todo mundo junto e protegido. Marcelle Bittar Reprodução/ Instagram Eu só pensava em voltar para casa. Só isso. Só que não tinha nenhum voo, estava tudo fechado. Ficamos sabendo de um voo, o primeiro que saiu de lá para o Brasil, e estávamos tentando embarcar nele. A Mariana e a Luciana conseguiram voltar nesse, só que elas tinham que buscar os passaportes, que estavam no apartamento delas, que era ali do lado das torres. Tivemos que descer a pé, todo mundo, tinha uma barreira da polícia, e a gente falou: “Olha, a gente precisa pegar nossos documentos”; então eles liberaram a gente para descer. Estava tudo destruído. Era uma cena de terror. Subimos no apartamento delas, pegamos os passaportes e, nisso, começou o aviso para evacuar tudo ali em volta, porque havia risco de desabamento dos prédios. Então saímos correndo, no desespero, sem saber para onde correr. As meninas, graças a Deus, conseguiram voltar. Eu não consegui, porque a minha agência não me deixou — foi conversado, porque a semana de moda continuou lá. Só que os desfiles não foram grandiosos, eles aconteceram, mas de uma forma menor. Era mais em formato de apresentação, muitas vezes no próprio showroom da marca, como Calvin Klein, Narciso Rodriguez, Donna Karan, Michael Kors. Eu tinha todos eles para fazer, então tive que ficar. Falei: 'Bom, eu termino aqui e volto para o Brasil'. Só que não. Então tive que ir para Milão, depois Paris e só depois consegui voltar para casa. Eu já tenho medo de avião... O meu voo de Nova York para Milão foi assim: o medo. Era desespero. Qualquer barulho, qualquer movimento estranho, qualquer gesto estranho, ficava todo mundo muito tenso. É uma coisa que me dá até arrepios só de falar. Não vou esquecer disso nunca na vida. Acho que ninguém vai. Quando você está lá, vivendo aquilo, acho que fica muito mais forte". Marcelle Bittar Reprodução/ Instagram

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