Recrutador de influenciadores para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, André Salvador afirmou, em mensagens, que também trabalhava no monitoramento das redes sociais de Flávio Bolsonaro (PL), segundo documentos reunidos pela Polícia Federal (PF). Salvador disse ainda que estava contratando perfis para um trabalho de gestão de crise de um “grande executivo”.
O levantamento faz parte da investigação sobre o chamado “Projeto DV”, estratégia que, segundo a PF, teria como objetivo defender a imagem de Vorcaro e colocar em dúvida a atuação do Banco Central (BC) em relação ao Master.
A referência a Flávio Bolsonaro foi feita em uma conversa com o assessor do influenciador e vereador Rony Gabriel, em dezembro de 2025, antes de Salvador apresentar a proposta relacionada ao Banco Master. Nas mensagens, o recrutador afirmou que fazia o “monitoramento das redes do Flávio Bolsonaro” e que estava envolvido em outro trabalho, voltado à gestão da imagem de um grande executivo.
“Estamos fazendo monitoramento das redes pro Flavio Bolsonaro também e encontrei o perfil do Rony nessas publicações feitas. Mas o assunto aqui é outro. Estamos fazendo um trabalho de gerenciamento de reputação e gestão de crise para um executivo grande”, disse Salvador ao assessor de Rony Gabriel.
Segundo o depoimento de Rony à PF, Salvador chegou a ele por meio do assessor e, antes de explicar quem era o cliente, pediu que fosse assinado um acordo de confidencialidade. O documento previa multa de R$ 800 mil em caso de quebra do sigilo.
Ainda de acordo com Rony, Salvador afirmou que tinha informações que contrariavam o que vinha sendo divulgado sobre o Banco Master e apontavam erros do Banco Central na condução do caso. A proposta, segundo o vereador, era produzir conteúdos que explorassem essa narrativa.
Rony afirmou ainda que Salvador mencionou “valores milionários” para remunerar os influenciadores.
No que diz respeito a Flávio Bolsonaro, os documentos não informam quem teria contratado Salvador para acompanhar as redes do senador, qual seria a finalidade desse trabalho ou se existia algum vínculo profissional entre o recrutador e a equipe de Flávio. Segundo os documentos da PF, Salvador atuava como representante da empresa de marketing UNLTD Brasil.
Nas investigações, a Polícia Federal também identificou 22 perfis de redes sociais que publicaram, em períodos próximos, conteúdos com críticas à atuação do Banco Central no caso do Banco Master.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada, mas não retornou até a publicação desta matéria. Já Rony Gabriel disse ao Valor que espera a punição de todos os envolvidos. “Desde a denúncia até aqui, fui desacreditado, perseguido, e até minha família foi atacada”, disse.
Valor