A temperatura sobe, o suor desce e os músculos ganham mais definição. Depois do sucesso da hot ioga, outras modalidades como alongamento, funcional e até meditação ganham salas aquecidas em academias e estúdios de ginástica com a promessa de potencializar os efeitos da atividade física.
Atento à tendência, o Vidya Studio anunciou a expansão de sua grade com três novas atividades em salas a mais de 40ºC: hot sculpt, aula que combina funcional com pilates, incluindo exercícios de força e uso de acessórios como halteres, barras, argolas e caneleiras; hot stretch, prática de mobilidade e alongamento, flexibilidade e recuperação muscular; e hot meditation, meditação guiada, relaxamento profundo e sound healing.
“Queremos oferecer experiências complementares para quem deseja treinar com intensidade, recuperar o corpo ou simplesmente desacelerar”, afirma Carolina Corona, CEO da BEON Studios, grupo que detém o Vidya. A The Simple Gym também já comunicou que incluirá salas para as modalidades calientes.
“O interessante, para nós, não é simplesmente o fato de a sala ser aquecida, mas o que o calor acrescenta à experiência”, diz Gabriel Rodrigues, cofundador da rede de academias carioca. “Traz uma dimensão sensorial muito forte para o treino: muda a percepção de intensidade e aumenta a sensação de presença.
O suor também funciona como um feedback imediato do esforço.” Depois que conheceu o hot pilates da Balwe, wellness club de Niterói, a empresária Tatiana Amin não quis mais saber de outra atividade.
“Faço há quase um ano, e entrei num período em que não estava tão envolvida com o esporte. Curti porque vai além do ‘malhar’, é uma experiência.
Minha disciplina depende disso”, conta a fluminense, de 54 anos, que ainda pontua os benefícios da prática. “Sinto que me deixa com mais energia e me faz beber mais água.”
Para aquecer a sala, a Balwe, aberta em novembro de 2025, usa um aparelho infravermelho, que varia a temperatura do ambiente entre 38ºC e 40ºC. É a mesma tecnologia usada pela Gangga, estúdio em São Paulo inaugurado em fevereiro deste ano com hot ioga, hot sculpt, hot strength, treino focado em ganho de força com pesos; e o hot pulse, uma mistura de barra e dança.
“O hot pilates virou o nosso carro-chefe. Sentimos uma procura muito grande desde o início”, comenta Gabrielle Piaz, sócia da Balwe.
“Temos de seis a oito aulas de hot por dia durante a semana, com capacidade de 18 alunos, e estão sempre cheias. É uma tendência que surgiu nos Estados Unidos e na Europa e que chegou forte ao Brasil.
E, diferentemente dos aquecedores a vapor que esquentam o ar, o nosso dá a sensação de calor solar”, completa Helena Isaac, CEO da Gangga. De acordo com Simone Nascimento, médica de estilo de vida, o corpo consegue realizar exercícios em temperaturas de 38°C a 40°C, mas isso não significa que a prática seja segura para todos.
“Recomendo começar com menor duração e intensidade, manter-se bem hidratado e interromper a atividade diante de sintomas como tontura, fraqueza, náusea, dor de cabeça ou confusão”, sugere a especialista. A dermatologista Juliana Piquet também chama a atenção para a exposição da pele aos equipamentos de infravermelho.
“Vale evitar o superaquecimento, não permanecer excessivamente próximo à fonte de calor e, depois da aula, retirar roupas úmidas e higienizar a pele de maneira suave. Pessoas com rosácea ou que percebam piora importante do rubor com calor precisam ter atenção especial.”
O Globo