Moda circular: brechós crescem no Rio e caem no gosto da geração Z por influência do TikTok

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Na onda da nostalgia, a moda de segunda mão se consolida como tendência atemporal. Impulsionado pelas trends do TikTok, o hábito de comprar roupas usadas, de outras épocas ou até seminovas em brechó fez crescer a busca e o movimento das lojas físicas, especialmente entre a geração Z. É o que tem observado Fátima Ribeiro, dona do Cacareco, em Botafogo. Depois que alguns influenciadores descobriram o brechó dela e divulgaram vídeos na rede social, o público mudou.

Carta de despedida e nostalgia: O GLOBO garimpa correspondências e fotos antigas em feira no Centro do Rio; veja o que foi encontrado Dos filmes mudos ao pornô: Cinema Iris sobreviveu a todas as transformações do Centro e se prepara para as novas mudanças — A maioria dos jovens que vêm aqui nos conheceu pelo TikTok. Os influenciadores fazem roteiro e listam o Cacareco. O restante é quem já conhece, gente da vizinhança e quem já frequenta há mais tempo — conta ela, que decidiu empreender depois de ser demitida do emprego. Em novembro, o brechó completa 15 anos.

Fátima Ribeiro, dona do brechó O Cacareco, em Botafogo Camila Araujo Entre uma arara de roupas e outra, o casal de músicos Sofia Cunha, de 22 anos, e José, de 23, analisava cabide a cabide as roupas do espaço. A programação de uma terça-feira à tarde era fazer uma rota de brechós que pegaram, adivinhem, na tal rede social.

— Eu estou procurando uma calça vintage e peças over size — conta Sofia, que se tornou adepta do garimpo de roupas usadas há pouco tempo. — Eu vi no TikTok e no Instagram pessoas muito autênticas usando só roupas de brechó e montando looks incríveis. As lojas de departamento estão muito caras e não muito bonitas. Gosto da ideia de que as roupas mais antigas têm uma história — disse.

Obturador, VHS, gramofone: o que você sabe sobre as mídias 'das antigas'? Faça o teste e descubra O casal Sofia Cunha, de 22 anos, e José, de 23, garimpam peças no brechó O Cacareco, em Botafogo Camila Araujo Cria do Rio O termo brechó surgiu no Rio, lá no século 19. A origem, segundo o dicionário Houaiss, há um registro de 1899 de um comerciante chamado Belchior, como o primeiro sujeito a estabelecer uma loja de compra e venda de roupas e objetos usados. E daí foi a adaptação linguística: de belchior para belchó, brechió, brechior, até o conhecido e atual brechó.

E segue sendo opção de negócio ainda hoje. Um levantamento do Sebrae Rio mostra que o estado tem hoje 2,3 mil empresas ativas no comércio de artigos usados, o que inclui brechós, lojas de móveis e eletrodomésticos de segunda mão e similares. Em 2022 eram 1.750. Em quatro anos mais 585 empresas entraram no setor, uma alta de 33,4%. Só a capital concentra 1.036 empresas (44% do total). As primas Rafaela Azeredo, de 35 anos, e Maria Eduarda Azeredo, de 34, são sócias no brechó e antiquário AZ Sustentabilidade Camila Araujo Em Copacabana, as primas Rafaela Azeredo, de 35 anos, e Maria Eduarda Azeredo, de 34, são sócias no brechó e antiquário AZ Sustentabilidade, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A sobreloja, de 450 metros na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, era do bisavô, e passou a ser ocupada em 2018 para abrigar o projeto da geração mais nova.

— Tudo começou com um evento de três dias, com venda de móveis e roupas. As pessoas gostaram tanto que perguntavam se funcionaria no dia seguinte, e na semana seguinte. Em tese não estaria, mas decidimos apostar no negócio — conta Rafaela, que é estilista e agora estuda Marketing.

Rafaela e Duda analisam peças trazidas, que recebem como consignação, pela cliente e fornecedora Denise Santos Camila Araujo O charmoso espaço é cercado de lustres, luminárias, tapetes e móveis antigos, dando um clima bucólico e descolado ao mesmo tempo para quem vai garimpar. Além do brechó, carro chefe da casa, a AZ também tem um espaço para sebo, antiquário de móveis e até um pequeno café-bar. — A gente promove a circulação de cada uma dessas peças, que poderiam ficar esquecidas. Aqui elas ganham uma nova identidade. As pessoas olham uma peça combinada com outra e querem levar, ou percebem como o móvel pode ficar interessante no ambiente — acrescenta Rafaela.

Xô, superstição Denise Santos, de 68 anos, é cliente fiel e fornecedora da loja desde 2023. Ela leva as próprias roupas, sapatos e acessórios para vender por consignação (quando a loja só paga pelos itens após vendê-los ao cliente final) e, às vezes, leva uma peça para casa.

Denise Santos, de 68 anos, é cliente fiel e fornecedora do brechó AZ Sustentabilidade desde 2023 Camila Araujo — Vejo que elas são criteriosas e bem seletivas. Algumas pessoas têm um pouco de superstição, dizem que fica impregnada a energia na roupa de outra pessoa. Para mim, sabendo como lavar, realmente fica novo. Eu lavo a roupa com anil, uma pedrinha azul, diluo bem e deixo de molho na água. É excelente para limpeza energética — conta a cliente.

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