Ministros de Lula defendem ataques a Flávio para ampliar rejeição no segundo turno e admitem erros da campanha

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceram erros da campanha do petista na primeira rodada das eleições e defenderam intensificar os ataques a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para buscar aumentar a rejeição do adversário de Lula em um jantar em Brasília na terça-feira. O jantar teve a participação de 35 ministros, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin.

De acordo com dois participantes do encontro, organizado pelo ministro Wolney Queiroz (Previdência Social), foi feita uma avaliação que a campanha errou ao pregar o “voto de legado” em Lula e exaltar as conquistas do mandato, sem apontar para propostas concretas de um eventual quarto governo. Dessa forma, defendem atuação “pé no chão” para reconhecer que o governo ficou aquém do esperado, mas reforçar que uma eventual gestão Flávio será pior para o país. A ideia é que se mude a estratégia para buscar indecisos e se admita que é preciso trabalhar mais para melhorar a vida do povo brasileiro.

Também estiveram no encontro integrantes da coordenação de campanha, como Edinho Silva, presidente do PT e coordenador-geral, Gilberto Carvalho, que atua com a agenda do petista, e o ministro da Secom, Sidônio Palmeira. De acordo com relatos, Edinho falou do risco da interferência externa nas eleições brasileiras, falando principalmente da atuação das big techs. Nesse momento, cobrou dos aliados maior atuação nas redes. No encontro, também foi dito que Flávio investiu mais no impulsionamento de publicações nas redes do que o presidente, e os auxiliares cobraram maior investimento da campanha petista no ambiente digital Os ministros defenderam uma "reviravolta" na comunicação da campanha, diante da avaliação que ela ficou aquém do esperado. A principal crítica é que foi adotado um tom festivo, que contrasta com a realidade da população e da situação política. Além disso, eles reconheceram que a comunicação não foi capaz de desconstruir a imagem de Flávio Bolsonaro, que tem diversos pontos a serem explorados de forma negativa, segundo a coordenação do petista.

A partir de agora, segundo esses participantes, a ideia será adotar tom duro contra Flávio para buscar aumentar a rejeição do candidato. Pesquisa Quaest divulgada em setembro mostrou que Lula tem 54% de rejeição e Flávio, 56%. A expectativa é que isso já apareça no primeiro programa de Lula no horário eleitoral neste segundo turno. Nas palavras de um ministro, a partir de agora é “pancadaria geral” e uma “guerra” para aumentar a rejeição do adversário.

Esse tom já pode ser percebido em peças da campanha divulgadas nas redes sociais nesta semana. A ideia é usar a comunicação do medo e dos riscos que um eventual governo Bolsonaro poderá trazer para a população, como corte de programas sociais, menos investimento na saúde e na educação. Na terça, um desses vídeos mostra que as declarações frequentes de Flávio Bolsonaro em “promover um tesouraço” no Brasil significam que o senador, se eleito, irá fazer cortes em programas sociais. “Quando um Bolsonaro fala em ‘tesouraço’, o Brasil sabe exatamente quem paga a conta”, diz o vídeo.

Além disso, aliados falaram de aumentar a presença de Lula no digital. Isso foi discutido em reunião com o presidente e aliados políticos na segunda. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), reeleito no primeiro turno, estimulou que o presidente fizesse mais vídeos “selfie” — nesta quarta, Lula já divulgou dois vídeos nesse formato. Um integrante da coordenação afirma que o presidente tem facilidade de se comunicar e que isso foi pouco explorado pela campanha no primeiro turno.

Assim como em outros encontros, foi orientado que ministros intensifiquem suas presenças nas redes sociais para defender a gestão petista e falem mais em rádios e televisão, além de viajarem pelo país. A Casa Civil deve elaborar um cronograma com entregas e anúncios para os próximos dias.

Auxiliares de Lula também falaram em intensificar o contato com prefeitos para cobrar que eles disponibilizem transporte gratuito no dia da eleição, o que já é lei no país. A avaliação é que isso pode contribuir para diminuir o índice de abstenção no dia da votação e aumentar os votos a favor do petista em redutos da esquerda. Aliados de Lula consideram central na estratégia para virar a situação eleitoral o aumento dos votos dele no Nordeste.

Os ministros também foram orientados a explorar suas habilidades para conquistar votos, como Alexandre Padilha (Saúde), que tem bom desempenho nas redes sociais, Wellington Dias (Desenvolvimento Regional) considerado uma liderança regional no Piauí e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) que organiza a mobilização de movimentos sociais.

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