Uma mobilização estudantil contra a extrema-direita e em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou as ruas do Centro do Rio nesta quarta-feira (7). Mais de 20 atos estão previstos em dez estados, numa tentativa de estudantes e entidades de transformar a juventude em uma frente de mobilização contra Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Lula: Ministros defendem ataques a Flávio para ampliar rejeição no segundo turno e admitem erros da campanha Eleições: Lula cobra aliados e diz em reunião que campanha de 2026 foi a mais desorganizada que já participou Partindo da Igreja da Candelária, os manifestantes, majoritariamente jovens, caminharam em direção ao Colégio Pedro II entoando palavras de ordem em defesa da soberania nacional e da educação pública de qualidade, contra a escala 6x1 e a ditadura e, principalmente, contra Flávio Bolsonaro. Aos 18 anos, a estudante de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) Sophia Carvalho afirma que uma das principais motivações para participar do ato é a defesa da educação pública. — A gente acredita na educação pública, na educação de qualidade, a gente acredita que consegue transformar a vida através da educação. E estamos aqui exercendo a nossa soberania nacional, a democracia. Acreditamos que esse projeto de neoliberalismo não vai ajudar em nada, e que essa tentativa de, através de vários meios, acabar com a educação, no final, só vai ser prejudicial a nós — conta a jovem. Em discurso no carro de som, estudantes ligados ao Colégio Pedro II reforçaram o tom da manifestação: — Os nossos direitos não são negociáveis. Não vai ser fácil, mas olhem em volta, lembrem que vocês não estão sozinhos. A juventude vai mudar a história do Brasil. A mobilização começou na segunda-feira, com estudantes da UFF, em Niterói, e se espalhou para outras cidades e estados. Os atos são convocados em defesa da democracia e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra o avanço da extrema direita nas eleições de 2026. Os manifestantes também fazem críticas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), associando sua candidatura a cortes na educação, privatizações de serviços públicos e estatais e a um possível alinhamento do Brasil ao governo dos Estados Unidos. Doutoranda em Artes Visuais na UFRJ, a chilena Valentina Mussi, de 33 anos, disse temer que o Brasil siga um caminho semelhante ao de seu país. — Existe de fato uma insatisfação da população. Mas acho que os meios de eleger a direita são equivocados, fascistas e autoritários. A via antidemocrática e autoritária não vai trazer bem para o país. Eu sou do Chile e é lamentável o que ocorre lá. As pessoas se arrependem de ter escolhido um candidato de direita, e as consequências podem ser muito prejudiciais para a gente — afirmou. A cabo-verdiana Dora Andrade, de 30 anos, estudante de Ciências Biomédicas na Unirio, disse ter ido às ruas para apoiar Lula, embora não tenha direito a voto no Brasil. — Desde adolescente, acompanho os trabalhos de Lula. Eu não tenho direito a voto, mas estou aqui para apoiar. Noa Maia, de 18 anos, estudante do ensino médio, disse participar do ato em defesa da manutenção de direitos sociais. — Hoje, pelos nossos direitos e pelo nosso futuro. E para mostrar para a sociedade o motivo de precisarmos lutar. No passado, lutamos para estar aqui hoje. Hoje, lutamos para ter direitos amanhã. No convite publicado nas redes sociais, as entidades que apoiam a mobilização convocaram estudantes do ensino fundamental, médio e técnico a participar dos atos em defesa da democracia. “Não é de hoje que sofremos com o ataque do Centrão e da extrema direita no nosso dia a dia e, portanto, não temos tempo a perder tendo medo. Dia 7, nossa aula será na rua para reafirmar que a educação não fecha com fascista, imperialista e a direita”, diz o comunicado. Reação O movimento também provocou reação do PL. Nesta terça-feira, o deputado federal Nikolas Ferreira afirmou, em uma publicação no X, que o ato realizado por estudantes da UFF em apoio a Lula bloqueou uma das principais vias de Niterói e prejudicou, segundo ele, o acesso de ambulâncias a três hospitais. Em outra postagem, disse que a esquerda pretende mobilizar estudantes durante o segundo turno e afirmou que os jovens, “alimentados pelo ódio à direita”, poderiam “perder a linha”. “Em breve, ficará ainda mais claro qual lado escolher nessas eleições. O que seria um ‘trunfo’ da esquerda será mais um motivo da derrota. Não tem mais pra onde correr. Game over”, escreveu Nikolas. *Estagiária sob supervisão de Leila Youssef
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'Nossos direitos não são negociáveis': estudantes vão às ruas protestar contra o fascismo e em favor do presidente Lula
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O Globo
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