A federação formada pelo PSOL e pela Rede Sustentabilidade entrará na Justiça para contestar a avaliação de que não cumpriu a cláusula de barreira após a votação no final de semana. Em nota, publicada nas redes sociais na noite de ontem, as siglas afirmaram que buscarão "provar que algumas dezenas de votos não são justificáveis para retirar os direitos de funcionamento de dois dos principais partidos da política brasileira".
Mudança de estratégia: Lula adota vídeos no 'formato selfie' no segundo turno e convoca povo para a rua 'contra o retrocesso' Ampliação de alianças: Flávio recebe apoio do Novo e tenta atrair MDB, que consulta estados e deve manter neutralidade "Elegemos uma senadora no estado do Ceará e alcançamos 5% dos votos nacionais para deputado federal, o dobro exigido pela famigerada lei da 'cláusula de barreira’, e agora convocamos nossas lideranças a dedicarem esforço máximo pela vitória de Lula", disse o comunicado.
No texto, a sigla faz referência a uma das normas da legislação eleitoral, que exige que os partidos tenham ao menos 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara para atingirem a meta. A regra, no entanto, também determina que as siglas alcancem um percentual mínimo de votos (1,5%) em ao menos nove estados. Neste ano, a federação alcançou esse percentual em oito estados, ficando a 185 votos de atingir a meta no Espírito Santo.
Nas redes sociais, o resultado nas urnas gerou cobranças de filiados do PSOL e de apoiadores a alas que foram contrárias à proposta de federação do partido ao PT no início deste ano. Na época, puxadores de voto da sigla em São Paulo, como a deputada Erika Hilton e o ministro Guilherme Boulos, argumentaram que a fusão seria uma estratégia para evitar a desidratação da bancada após as eleições deste ano. A medida, no entanto, foi recusada pela maioria dos integrantes da executiva nacional. Divergências internas Cobrada por ser contrária à federação e reeleita por São Paulo no domingo, a deputada federal Sâmia Bomfim atribuiu o mau desempenho da sigla no ES a uma "fraude na chapa eleitoral" provocada por "candidatas laranja". "Vamos acionar a Justiça para derrubar essa fraude armada contra as mulheres e contra o PSOL", disse em um post. A parlamentar também afirmou que a legenda tem "um papel importante na luta para derrotar a extrema-direita" e disse que está "pronta para arregaçar as mangas".
Já Erika Hilton admitiu erros na estratégia do partido ao concentrar recursos em candidaturas com menor potencial eleitoral e deixar de investir em estados onde, segundo ela, maiores investimentos poderiam ter ajudado a sigla a superar a cláusula de barreira. Na pré-campanha, a parlamentar chegou a acusar a direção da legenda de descumprir um acordo firmado com ela sobre a divisão do fundo eleitoral.
— A minha situação naquele momento era uma tentativa de buscar o cumprimento dos acordos, porque eu acredito que política é feita com acordos. Os acordos devem ser cumpridos — disse em entrevista à GloboNews. — Eu acho que há, sim, um erro. Houve uma concentração em candidaturas com pouco potencial, inclusive, de serem eleitas.
O Globo