O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta segunda-feira (5) que o resultado do primeiro turno, desfavorável ao presidente Luiz Inácio da Silva (PT), não deverá impactar na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6x1, pautada no Senado para esta semana. Segundo ele, a pauta segue como prioridade do governo.
"Eu vou conversar com o presidente [do Congresso], Davi Alcolumbre [União-AP], para ver se a gente já inicia o debate e vota até quarta-feira", afirmou o ministro à imprensa, antes de entrar em uma reunião da campanha de Lula, em Brasília. Após o revés no primeiro turno, a candidatura organizou um encontro de alinhamento entre aliados para reorganizar a estratégia para tentar reverter o quadro contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo Guimarães, o resultado da votação ontem não cria prejuízo para a avaliação na Casa. "O que tem a ver? Não mudou nada. Essa matéria é de interesse do Brasil, do país, não é de candidato A ou B", disse.
A postura do ministro não é consenso entre petistas. Membros da base dizem avaliar que a eleição de um alto número de senadores de direita para a próxima legislatura, a derrota dos candidatos apoiados por Alcolumbre no Amapá e o mau desempenho de Lula enfraquecem a pauta para esta semana.
Em aceno, Guimarães elogiou o presidente do Congresso. "Acho que o Davi tem sido muito firme, ele quer votar e vai votar essa matéria, foi o que ele anunciou publicamente", afirmou o ministro.
Como o Valor mostrou, Alcolumbre também sofreu um duro golpe das urnas. Mesmo com o mandato de senador garantido até 2031, ele viu sua influência política no Amapá esfarelar. Seus indicados para o governo e para as duas vagas ao Senado foram derrotados, mesmo destino imposto pelos eleitores ao líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), considerado um aliado mais pragmático.
O resultado no Amapá e a aliança com Lula, associados à explosão de senadores de extrema-direita eleitos no domingo tornam a reeleição de Alcolumbre quase impossível, segundo o Valor apurou.
Plenário do Senado Jefferson Rudy/Agência Senado
Valor