247 – O Ministério Público do Paraguai apreendeu um iate, um avião particular e nove carros de luxo em operações contra empresários ligados ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, instituição cuja liquidação desencadeou uma crise financeira e política no país. O banco atendia aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos.
Entre os bens apreendidos está um iate fabricado pela italiana Azimut Yachts, que pertence a Miguel Vázquez. Os investigadores também localizaram um avião particular Beechcraft King Air 300, atribuído ao empresário, em um hangar do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Luque, na região metropolitana de Assunção.
A investigação também resultou na prisão de Miguel Vázquez e de outros sete integrantes do Conselho de Administração do Ueno Bank. Outra frente da operação atingiu a residência do executivo-chefe do Ueno Bank, na capital paraguaia.
No local, os agentes recolheram nove automóveis de luxo, avaliados em aproximadamente US$ 14 milhões. Investigadores recolheram documentos, computadores e telefones celulares que podem ajudar a esclarecer a movimentação financeira do conglomerado.
O Ministério Público informou que encontrou ainda equipamentos de informática e cofres, que passarão por procedimentos técnicos para preservar os dispositivos de segurança e permitir a análise do conteúdo. Acusações
Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do ueno após constatar que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela legislação do país. A investigação identificou que empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio grupo controlador comprometeram a disponibilidade de recursos do banco.
O Índice de Solvência Geral (ISG) mede a capacidade de uma instituição de cumprir suas obrigações financeiras de curto e longo prazo. Para calcular o indicador, considera-se o conjunto de ativos da empresa, que inclui seus bens e direitos, em relação ao total de compromissos financeiros assumidos.
Em comunicado, o Ministério Público explicou que pretende identificar a possível existência de um esquema de operações financeiras envolvendo empresas vinculadas ao grupo controlador do banco, dentro e fora da instituição. “A investigação fiscal busca determinar se a holding do Ueno Bank orquestrou um esquema de operações financeiras dentro e fora do banco, por meio de suas ligações com diversas empresas que compartilhavam diretores, endereços e operadores.
Acredita-se que essas operações tenham resultado em prejuízos financeiros”, afirma o Ministério Público paraguaio. As acusações contra Santiago Peña envolvem possível favorecimento ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, com o qual o presidente paraguaio manteve vínculos acionários até março de 2025.
Os deputados também apontam possíveis conflitos de interesses e questionam a atuação do Banco Central na fiscalização da instituição, além das relações entre dirigentes do órgão regulador e o conglomerado empresarial. O pedido de impeachment inclui ainda suspeitas de interferência no Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pela administração das aposentadorias e da assistência à saúde dos trabalhadores paraguaios.
Segundo as denúncias, o Ueno Bank administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo valores previdenciários. Os parlamentares também pedem a apuração de possíveis casos de enriquecimento ilícito e da responsabilidade do governo pela perda de confiança no sistema financeiro do país.
Dirigentes do Conselho de Administração do Ueno Bank respondem a acusações de suposto abuso de confiança, além de outros possíveis crimes relacionados à gestão da instituição. Os investigadores buscam esclarecer a participação dos dirigentes nas operações e identificar eventuais responsabilidades individuais na concessão dos empréstimos e na administração dos recursos.
Parlamentares da oposição também questionam o crescimento do Grupo Vázquez durante o governo de Santiago Peña. O presidente paraguaio manteve participação acionária na Ueno Holding, empresa ligada ao conglomerado, até março de 2025.
Liquidação do Ueno Bank desencadeou crise política no Paraguai A investigação ocorre após o Banco Central do Paraguai determinar, em 3 de novembro, a liquidação do Ueno Bank.
A autoridade monetária identificou uma deterioração grave no índice de solvência da instituição, que perdeu a capacidade de cumprir os parâmetros mínimos exigidos pela legislação. O banco reunia aproximadamente 2,9 milhões de clientes e tinha participação relevante no sistema financeiro paraguaio.
A decisão interrompeu as operações da instituição e deixou milhares de correntistas sem acesso imediato aos recursos depositados. As apurações apontam que empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador comprometeram o patrimônio e a liquidez do banco.
O Ministério Público abriu uma investigação criminal para esclarecer as operações e identificar possíveis responsáveis. A crise também atingiu a direção do Banco Central.
Carlos Carvallo, que presidia a autoridade monetária desde 2023, renunciou ao cargo. Antes de assumir o comando do BCP, ele havia dirigido o próprio Ueno Bank, vínculo que ampliou os questionamentos sobre a fiscalização da instituição.
Crise alcança governo de Santiago Peña O presidente Santiago Peña também entrou no centro da crise por seus vínculos empresariais com o grupo controlador do banco.
A participação acionária na Ueno Holding até março de 2025 motivou questionamentos da oposição sobre possíveis conflitos de interesses e favorecimento ao conglomerado. Deputados apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente, com acusações que incluem possível favorecimento empresarial, omissão na fiscalização bancária e interferência em órgãos públicos.
As denúncias também envolvem a administração de recursos públicos pelo banco. Em meio à pressão política, Peña anunciou sua renúncia à Presidência em um pronunciamento divulgado nas redes sociais.
A decisão ocorreu depois que a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment. A investigação sobre o Grupo Vázquez e os antigos dirigentes do Ueno Bank passou a integrar o conjunto de desdobramentos da crise, que expôs relações entre interesses empresariais, autoridades financeiras e o governo paraguaio.
Brasil 247