"Quem vence em Minas, vence a eleição". A virada de Lula (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL) em Minas Gerais voltou a confirmar uma antiga tradição do estado como pêndulo da disputa presidencial.
O presidente reeleito obteve 6.351.099 votos em Minas, o que significa 50,43% dos votos, enquanto que seu adversário registrou 6.241.786 votos, o equivalente a 49,57%. Eleições 2026: Lula vira sobre Flávio Bolsonaro e vence na cidade do Rio no 2º turno
A força das ruas: mobilização popular impulsiona Lula para virada inédita Único estado onde houve virada entre o primeiro e segundo turno, Minas Gerais viu Lula ampliar sua votação em pouco mais de 1 milhão de eleitores.
No primeiro turno, Flávio contou com 5.777.548 votos (48,24%), enquanto que Lula registrou 5.188.936 votos (43,33%). Também na primeira fase da disputa eleitoral, em 4 de outubro, o estado elegeu o deputado federal recordista de apoio: Nikolas Ferreira (PL).
O congressista foi reeleito com mais de 3 milhões de votos e ajudou Flávio Bolsonaro a sair vitorioso em Minas. O estado também elegeu, sem necessidade de segundo turno, o governador Cleitinho Azevedo (Republicanos), outro apoiador do filho de Jair Bolsonaro.
Os palanques de Nikolas e Cleitinho, no entanto, não foram o suficiente para segurar a virada petista em Minas. Esta é a quarta vez que Lula vence em Minas.
Em 2002, o petista recebeu 66,45% dos votos contra 33,55% de José Serra. Já em 2006, o petista registrou 65,19% dos votos, enquanto que Geraldo Alckmin contou com 34,81%.
Na votação de 2022, o presidente foi vencedor em MG com margem apertadíssima, registrando 50,20% contra 49,80% dos votos de Jair Bolsonaro. Mas não foi só o desempenho em Minas que gerou a vitória de Lula na disputa presidencial.
A virada petista, a primeira desde a redemocratização, foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h09h deste domingo (25). Com 100% das urnas apuradas, o petista registrou 64.256.232 votos (51,79%), enquanto o senador contou com 59.826.041 votos (48,25%).
Lula em campanha em Minas Ricardo Stuckert/Divulgação
No segundo turno, Lula reduziu a vantagem do adversário em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, estados que elegeram governadores bolsonaristas. O petista também ampliou a vantagem no Nordeste, crescendo em quase 3 milhões sua votação em relação ao primeiro turno.
No maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro teve no palanque o governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos). O senador terminou o primeiro turno com uma vitória conquistando pouco mais de 12,9 milhões de eleitores, 51,93% dos votos válidos.
Um mês depois, Flávio Bolsonaro cresceu 1,2 millhão de eleitores, mas viu o adversário sair de 9,5 milhões para 12,1 milhões de votos. O mapa da capital paulista revela que o petista conseguiu virar em algumas regiões , como em Jaçanã e Cangaíba.
Somente na cidade de São Paulo, Lula saltou de 46,6% dos votos válidos para 55%. Lula também reduziu a vantagem do adversário no Rio de Janeiro, reduto da família Bolsonaro.
No estado que elegeu Douglas Ruas (PL) no primeiro turno, foram 870 mil votos a mais e reduzindo pela metade a distância do adversário. Na primeira etapa da eleição, Flávio Bolsonaro conquistou 1,2 milhão de votos a mais que o presidente.
Neste domingo, a distância entre os dois foi de 603,6 mil eleitores e Lula alcançou 4,5 milhão de votos. Parte desses votos foram alcançados com a virada da esquerda na capital fluminense, que tinha dado a vitória a Flávio Bolsonaro.
Lula conseguiu vencer em parte do subúrbio carioca, Irajá e Brás de Pina. Outra região onde o petista virou o resultado foram Zonas Eleitoras na região central de São Gonçalo, cidade berço de Ruas.
Ao todo, o presidente alcançou 48% dos votos no município. No Paraná, estado que elegeu Sérgio Moro (PL) como governador no primeiro turno, Lula cresceu meio milhão de votos enquanto Flávio Bolsonaro aumentou seu apoio em um patamar inferior: 300 mil votos.
No Rio Grande do Sul, onde Luciano Zucco (PL) foi eleito, a diferença entre os presidenciáveis também caiu de quase 1,3 milhão para um pouco mais de um milhão de votos. Quatro vezes Lula
Com o resultado deste domingo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se tornou o primeiro presidente a ser eleito quatro vezes pelo voto direto no Brasil. Lula ampliará um recorde que já pertence a ele: o de presidente mais velho a tomar posse na história do pa.
O petista terá 81 anos quando iniciar seu novo mandato, em 5 de janeiro de 2027. A marca anterior foi estabelecida em 2023, quando o petista retornou ao Palácio do Planalto aos 77 anos, após derrotar Jair Bolsonaro (PL).
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, Pernambuco, o petista completará 81 anos na próxima terça-feira, dois dias depois do segundo turno. Ao longo da carreira política, ele já havia sido eleito presidente em 2002, reeleito em 2006 e voltado ao poder em 2022, depois de permanecer 12 anos fora do cargo.
Com a vitória deste domingo, iniciará seu quarto mandato presidencial.
O Globo